PERÍODO
1
A ESCOLA DOS COLONIZADORES
O COLÉGIO DOS JESUÍTAS
Antes de ser uma cidade, São Paulo foi uma escola.
No atual Pátio do Colégio, junto à
encosta do Tamanduateí, o Colégio dos Jesuítas
foi o começo da nossa cidade. A colonização
do território, naquela época, teve como ponta
de lança uma escola.
O processo de colonização tinha nas ordens
religiosas, principalmente na Companhia de Jesus, um de
seus principais instrumentos. Essa intenção
de ocupação se tornava real, palpável
e concreta a partir da construção de escolas.
O edifício da escola materializava a nova doutrina
difundida entre as crianças índias e os filhos
dos colonizadores, e o papel de instrumento da colonização
refletia-se no edifício. Os assentamentos de frente
da ação colonizadora tinham, quase sempre,
um colégio, uma escola, uma missão ou um seminário.
A reação dos índios à doutrina
dos jesuítas não foi tranqüila. Ninguém
passa a acreditar em um Deus de um dia para o outro. Houve
resistência da cultura indígena, ao mesmo tempo
que os bandeirantes paulistas, interessados em aprisionar
os índios, entravam em conflito com os catequizadores.
Os jesuítas foram expulsos; mais tarde voltaram e
retomaram a catequese. O colégio, erguido em uma
encosta, funcionava como uma fortificação:
os jesuítas pensavam em se proteger tanto dos bandeirantes
quanto dos próprios índios.
Sob a responsabilidade das ordens religiosas, as construções
escolares, como o Colégio de São Paulo de
Piratininga, começaram a configurar um padrão
de escola religiosa, que abrigava a moradia dos religiosos,
as salas de aula, a igreja e demais instalações.
As construções tinham características
de conventos e seminários. Hoje em dia, da antiga
construção do Pátio do Colégio
só resta um segmento de parede em taipa de pilão
e as catacumbas sob a igreja.
Em 1653, os jesuítas conseguiram dominar os índios
e começaram a impor sua doutrina novamente. Foi construído
um anexo ao colégio, onde foram instalados paulatinamente
os primeiros cursos de filosofia, teologia, artes, biblioteca
e capela, ocupando uma área de mais de mil metros
quadrados. Para essa construção foi utilizada
a técnica da taipa de pilão, em que as paredes
são feitas de barro comprimido em formas de madeira.
Em 1745, houve outra ampliação, e em 1759
a ordem jesuíta foi expulsa por decreto do Marquês
de Pombal, responsável pela Secretaria de Negócios
Estrangeiros durante o reinado de d. José em Portugal.
O governo apropriou-se dos bens da Companhia de Jesus, e
o antigo casarão colonial foi completamente descaracterizado
por profundas reformas. Entre 1765 e 1908, funcionou como
Palácio dos Governadores. Nesse período, um
desmoronamento resultou na perda do precioso patrimônio
da igreja. Em 1932, o Palácio do Governo foi transferido
e o velho colégio passou a abrigar a Secretaria da
Educação, que lá permaneceu até
1953. O edifício assumia uma função
mais próxima de sua vocação original.
O ano de 1954 marca a retomada do projeto original. A Companhia
de Jesus recebe de volta as instalações e
dá-se início à reconstituição
do conjunto, nos moldes da terceira construção,
quando o prédio ainda era colégio e não
edifício público, e permanecem, remanescentes,
a cripta, parte de uma parede em taipa de pilão e
o antigo torreão. Atualmente o conjunto abriga o
Museu de Anchieta, com peças da ordem religiosa do
período da colonização do Brasil.
Escola, seminário, Palácio do Governo, Secretaria
de Estado e museu. Por todas essas transformações
passou o sítio onde se originou a cidade de São
Paulo.
É importante lembrar que a urbanização
da nossa cidade teve na escola a referência para sua
definição original.
A história do Pátio do Colégio se confunde
com a da cidade de São Paulo.
A execução pioneira da construção
original, suas reformas, sua destruição, a
construção para abrigar outro uso, de novo
a destruição e finalmente a construção
de uma réplica (o que conhecemos hoje como o Pátio
do Colégio é uma reconstituição
quase caricata do edifício original) são etapas
reveladoras de um processo pelo qual passou e passa a nossa
cidade.