PERÍODO
1
A ESCOLA DOS COLONIZADORES
ESCOLA OU FORTALEZA?
A escolha do local de uma construção
é sempre uma decisão estratégica. A
localização de uma escola não foge
à regra. Foi assim na decisão dos jesuítas
quanto à localização do Colégio
e é assim até hoje. A escolha foi estudada
e pensada levando em consideração a permanente
necessidade de defesa dos catequizadores europeus.
O colégio foi construído em uma escarpa que
permitia acesso praticamente por apenas um lado. Assim,
o edifício era também uma fortaleza: o desenho
da edificação mostra o conflito cultural entre
colonizados e colonizadores.
A estreita ligação entre a escola dos jesuítas
e a origem da cidade nos leva a refletir sobre o papel atual
das escolas na construção da cidade. A escolha
do local, o entendimento das orientações pedagógicas
e suas configurações espaciais parecem exigir
que se pense sobre a escola do presente, uma rede de ensino
público com papel tão determinante para a
cidade como o Colégio de São Paulo de Piratininga.
Se em 1554 o receio dos jesuítas era a reação
dos nativos e dos bandeirantes contra a sua ação,
temos de definir o que levamos em consideração
hoje para determinar a localização e o desenho
de uma escola. O discurso dos jesuítas era muito
claro: eles objetivavam a catequese e a propagação
da ideologia cristã. A configuração
de uma escola com características de fortaleza, com
implantação no terreno como uma fortificação,
revela claramente os objetivos de seus construtores.
Dessa forma, se hoje falamos também através
dos nossos prédios, temos de ouvir o que nossas escolas
estão dizendo, ou entender o que dizemos através
de nossas escolas.
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