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PERÍODO 2

A REPÚBLICA

A CIDADE DO OUTRO LADO DO VALE

A expansão da cidade para o outro lado do Vale do Anhangabaú, local chamado de “centro novo”, teve como parâmetro uma escola em vez de uma catedral. A construção do prédio – e a própria instalação de um equipamento público (uma escola) – em um bairro novo marcou a ocupação de uma área na cidade.

Em 1894, na inauguração do prédio, a escola era circundada de residências de alto padrão. O investimento público na educação consolidou uma direção de crescimento da cidade – a direção oeste, fortalecida pela inauguração do Viaduto do Chá, em 1892.
No andar térreo do prédio funcionava a Escola Modelo; em um anexo localizava-se o curso complementar; ao fundo, em uma construção independente, ficava o jardim-de-infância, demolido em 1940 para a ampliação da Avenida São Luís.


O edifício ocupa uma das faces da Praça da República e é absolutamente simétrico. Esse fato não se deve exclusivamente a razões de composição arquitetônica. As duas alas simétricas serviam como divisão entre os sexos: a ala leste era feminina e a ala oeste, masculina. O prédio também tinha função monumental, era símbolo de um novo regime, a República, representação de uma nova maneira de pensar o futuro do país.

O final do século XIX estava marcado pelo fortalecimento da indústria e, portanto, da cidade industrial. A história do edifício da Praça da República confunde-se com a da cidade, tanto na sua expansão como na sua transformação.
O Jardim-da-infância foi demolido, o edifício ampliado e, ao final da década de 1970, ameaçado de demolição pela Companhia do Metrô de São Paulo, quando foi construída a estação República.

A ameaça de demolição pôde ser contida por uma mobilização da sociedade, mas uma ação talvez não tão clara, porém mais funesta, não foi impedida. O edifício deixou de ser escola e passou a sediar uma Secretaria de Estado. O processo de construção ou de destruição da nossa cidade tem nuances cruéis. Quando a região passa a ser dotada de uma infra-estrutura de transporte de massas mais moderna, como o metrô, a escola – equipamento urbano fundamental para o estabelecimento de uma vida saudável – cede lugar a escritórios da administração pública. A resistência à demolição do prédio reuniu as forças democráticas da sociedade de 1978. Mas o patrimônio não é apenas o edifício histórico, é também seu uso. Esse uso, tanto como o edifício, fazia parte da cidade.

O significado de um edifício vai além de sua construção. A expansão da cidade ancorada pela construção de uma escola foi um ato simbólico, tanto quanto a transferência da Escola Caetano de Campos da Praça da República. Voltamos, assim, a refletir sobre a escola atual e a estruturação da cidade. Que papel a escola deve assumir na organização do território? O que simboliza hoje o edifício de uma escola? Se em 1894 o edifício da Caetano de Campos simbolizava os ideais recém-vitoriosos de formação da República, que ideais simbolizam hoje os nossos prédios escolares? Como seria essa região da cidade se a escola não tivesse sido afastada de lá?

O distrito República é hoje o mais denso no que diz respeito à moradia de toda a Regional da Sé. Uma escola na região, portanto, não seria obsoleta: ao contrário, teríamos um equipamento que poderia ser muito bem aproveitado e desfrutado pela população do local e da cidade.

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