PERÍODO
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TEMPOS MODERNOS
O PROGRAMA DE NECESSIDADES Na década de 1930,
São Paulo ultrapassou a marca de 1 milhão de
habitantes. O número de vagas oferecidas pela rede
pública de ensino era a pauta da sociedade. O mundo
já passara por uma guerra, e no Brasil idéias
modernizadoras se manifestavam organizadamente desde 1922.
A partir de 1936 e 1937, já com métodos de ensino
modernos, escolas que abrigariam novos ideais de educação
começam a ser construídas.
Uma grande reforma no sistema educacional brasileiro estava
em curso. Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo foram
responsáveis pela reforma do sistema educacional de
diversos estados do Brasil, como Bahia, Ceará, Distrito
Federal e São Paulo, implementando no país uma
visão de educação moderna e democrática.
Existiam questões a resolver – o número
de vagas, por exemplo –, mas a atenção
estava sobre o pensamento que definiria como deveria ser a
escola voltada para uma nova educação.
Em arquitetura isso se chama “programa”. O programa
de uma edificação é o conjunto de necessidades
que um projeto deve contemplar na construção
e o roteiro de como isto deve estar disposto no novo prédio.
O “programa” define o número de salas de
aula, determina se a escola terá uma biblioteca ou
não, se incluirá dentro do prédio um
posto de saúde e, principalmente, estabelece como tudo
deve estar disposto dentro da edificação. A
disposição espacial de todos os itens de um
programa configura a implementação de uma visão
educacional.
O momento era de implantação e construção
de um sistema educacional moderno, e para tal seriam necessárias
escolas modernas. Com essa preocupação foi assinado
um convênio entre o Estado e a Prefeitura da capital.
Perto de cem escolas foram criadas pelo Convênio Escolar,
sob a coordenação dos arquitetos Hélio
Duarte e uma equipe de arquitetos.
A sociedade e a cidade estavam em um novo momento. A escola
iniciava uma trajetória de democratização
da educação, de extensão do direito à
educação para além das elites, alcançando
a classe média. Os diversos bairros da cidade, já
estruturados, tinham demanda por escolas. O mundo moderno, as
máquinas, a industrialização, as idéias
que estavam pelo mundo achavam-se presentes também em
São Paulo, “o maior centro industrial da América
Latina”.
É importante ressaltar que quem
escreve o texto acima não é um arquiteto, e sim
um educador, responsável pela elaboração
e implantação de um novo sistema educacional no
país. Se fizermos rápidos cálculos, poderemos
perceber a influência dessa atitude em uma geração
e entender a efervescência cultural do final da década
de 1950 e início da de 60. Não se tratava de mais
um estilo, e sim, de uma atitude diante da educação.
Por trás dessa nova proposta educacional estava um projeto
de país, uma busca da identidade nacional, característica
do movimento moderno desde suas origens, em 1922.