PERÍODO
5
A DÉCADA DE 1970
A ESCALA DO PROBLEMA OU UM PROBLEMA DE ESCALA
Na década de 1970, a cidade de São Paulo
tinha perto de 6 milhões de habitantes e muitas crianças
precisavam de vaga na escola. Pensar a educação
pública naquele momento, com a pressão da
enorme demanda por vagas, era pensar em uma maneira nova
de construir escolas em grande número, uma maneira
que fosse rápida e eficiente.
Vivia-se a ditadura. Após um momento de esperança
de construção de um novo país, no início
da década de 1960, forjava-se um sistema estranho
aos interesses da maioria da população. Paralelamente,
demandas sociais se avolumavam e, dentro dos limites impostos
pelo regime, administradores e técnicos (arquitetos)
procuravam soluções. Mas a oportunidade de
busca de uma correspondência entre sistema, método
educacional e edifício escolar era limitada pela
falta de liberdade.
A Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 5.692, de 11 de
agosto de 1971), que norteou o sistema educacional a partir
de 1971, atribuiu ao Estado a responsabilidade pelo ensino
fundamental. Essa lei ficou famosa por instituir o ensino
obrigatório de Educação Moral e Cívica
em todas as escolas do país.
A pauta era o número de escolas a serem construídas.
A questão não era a construção
de uma única escola, e sim, de uma rede. Em 1960
o governo do estado de São Paulo (governador Carvalho
Pinto) criara o Fundo Estadual para Construções
Escolares, o Fece, que precedeu a Companhia de Construções
Escolares de São Paulo, a Conesp, criada em 1976
(já no governo Paulo Egydio Martins).
As construções de Artigas como o Ginásio
de Utinga ou mesmo a Escola Pré-Primária da
Vila Alpina foram modelos do Fece. A conceituação
do que poderia vir a ser uma rede foi proposta pelo próprio
arquiteto, em Utinga. O projeto contava com componentes
pré-fabricados, uma experiência pioneira como
edifício público.
O Estado, construindo escolas, além de “fabricar”
abrigos onde as crianças aprenderão, formata
e desenvolve uma maneira de ensinar. Não há
contradição entre pensar um prédio,
pensar como ele será construído e aquilo que
acontecerá lá dentro. A busca dessa coerência
qualifica o conteúdo e o continente pedagógico.
Um se confunde com o outro. A aproximação
de quem pensa os prédios das situações
nas quais os prédios estarão inseridos qualifica
o processo de construção, tanto do lado de
quem projeta como do lado de quem usa. Todos contribuem
para a escola: o gerenciador, o construtor, a diretora,
a professora, o aluno, o vizinho...
Essas questões estavam presentes nas preocupações
dos arquitetos que planejaram a rede de ensino a partir
dessa data. Os arquitetos Mayumi de Souza Lima e João
Honório de Melo Filho foram os convidados pelo governo
do estado em 1976 para equacionar o problema da falta de
escola.
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