PERÍODO
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A VIRADA DO SÉCULO
O CEU
A origem da proposta dos CEUs é esta: a de reforçar
a infra-estrutura de diversas áreas da cidade anteriormente
excluídas do mapa.
Segundo o site oficial da Prefeitura de São Paulo
(www.prefeitura.sp.gov.br),
os Centros de Educação Unificados foram planejados
com três objetivos:
“1. Desenvolvimento integral das crianças
e dos jovens – a proposta reúne ações
educativas da Prefeitura em um pólo, juntando a Emei
(Escola Municipal de Educação Infantil) e
a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) em um só
conjunto, otimizando equipamentos e serviços. O Centro
oferece infra-estrutura para o desenvolvimento integral
da aprendizagem tanto nos seus aspectos cognitivos, socioculturais,
físicos, afetivos e psicomotores.
2. Pólo de desenvolvimento da comunidade
– localizado em regiões desprovidas
de infra-estrutura e serviços, os Centros se tornarão
pólos irradiadores e reorganizadores de relações
sociais no bairro, tanto pela escala e característica
dos equipamentos nele locados como pela referência
de padrão na realidade territorial e social em que
está inserido. O equipamento atuará como pólo
de desenvolvimento da comunidade, promovendo a integração
das experiências culturais da população,
assumindo funções de organização
e de articulação nos projetos sociais e nas
ações de interesse local.
3. Pólo de inovação de experiências
educacionais – a partir do desenvolvimento
de experiências educativas inovadoras, nos diferentes
níveis e modalidades de ensino, o objetivo é
que o CEU atue como Centro de Referência, estendendo
o conhecimento adquirido para as demais escolas da região”.
Há, portanto, no projeto dos CEUs, a incorporação
de uma série de experiências no planejamento
e construção de redes educacionais, tanto
no aspecto do “continente” (o prédio
escolar) como no do “conteúdo”. Em 2003
são entregues 21 unidades, viabilizando mais de 50
mil novas vagas. Cada unidade do CEU contará com
Centro de Educação Infantil (CEI) para 300
crianças, Escola Municipal de Educação
Infantil (Emei) com 900 vagas e Escola de Ensino Fundamental
(Emef) para 1.260 estudantes.
“Cada CEU poderá reorganizar o desenho dos
bairros periféricos da cidade”, define o arquiteto
Alexandre Delijaicov, autor do projeto original, base para
cada implantação específica.
Para cumprir com os objetivos, a iniciativa demandará
infra-estrutura (da qual as unidades são muito bem
providas) e qualidade também nos recursos humanos
(professores e orientadores). A idéia central do
projeto é aproveitar o conceito de "pracinhas"
das periferias e de pequenas cidades do interior, ponto
de encontro da comunidade. Revemos aqui o conceito de Escola
Parque idealizado na década de 1950 pelo educador
Anísio Teixeira e desenvolvido em São Paulo
pelo arquiteto Hélio Duarte no período de
vigência do Convênio Escolar.
Além da creche, da Emei e da Emef, cada CEU abriga
uma escola para jovens e adultos (EJA), telecentro, padaria,
centro comunitário, teatro, biblioteca, salas de
música e dança, duas orquestras, rádio
comunitária, estúdios de produção
e gravação multimídia, escola de iniciação
artística, ginásio coberto, quadras, pista
de skate e piscinas. Cada unidade foi pensada para atrair
não só os seus quase 2.400 alunos, mas toda
a família e a comunidade. A vizinhança do
CEU tem acesso às suas instalações,
inclusive nos finais de semana.
Os projetos para os CEUs são concebidos em estrutura
de concreto pré-fabricada, mas seus blocos procuram
respeitar as especificidades dos terrenos em que são
implantados.
Os primeiros 21 CEUs de São Paulo estão nos
seguintes bairros:
1. ALVARENGA – Cidade Ademar/Pedreira
2. ARICANDUVA – Itaquera/Cidade Líder
3. BUTANTÃ – Butantã/Rio Pequeno
4. CAPÃO REDONDO – Campo Limpo/Capão
Redondo
5. CIDADE DUTRA – Socorro/Cidade Dutra
6. DA PAZ – Freguesia do Ó/Vila Brasilândia
7. INÁCIO MONTEIRO – Cidade Tiradentes
8. JAMBEIRO – Guaianazes/Lajeado
9. MENINOS – Ipiranga
10. MONTE AZUL – Campo Limpo/Jardim S. Luís
11. NAVEGANTES – Socorro/Grajaú
12. PARQUE SÃO CARLOS – São Miguel/Vila
Jacuí
13. PARQUE VEREDAS – Itaim Paulista
14. PÊRA-MARMELO – Pirituba/Jaraguá
15. PERUS – Perus
16. ROSA DA CHINA – Vila Prudente/Sapopemba
17. SÃO MATEUS – São Mateus/Iguatemi
18. SÃO RAFAEL – São Mateus/São
Rafael
19. TRÊS LAGOS – Socorro/Grajaú
20. VILA ATLÂNTICA – Pirituba/Jaraguá
21. VILA CURUÇÁ – Itaim/Vila Curuçá
O CEU, portanto, revê e atualiza uma longa trajetória
de experiência e reflexão sobre a arquitetura
escolar, sua presença na cidade e sua relação
com o processo de ensinar e aprender. Além da afinidade
com o ideário de Anísio Teixeira e Hélio
Duarte, o projeto contemporâneo dialoga com outro,
ainda mais remoto: na década de 1930, quando dirigia
o Departamento de Cultura da cidade, o poeta Mário
de Andrade criou parques infantis, que continham “praça
de equipamentos” e ofereciam atividades educativas
e culturais para os filhos da classe operária, moradores
dos bairros periféricos na época (Santo Amaro,
Ipiranga etc.).
Como se dividem as instalações do CEU:
- bloco didático: creche, Emei, Emef e EJA
- bloco cultural: orquestra, fanfarra, bandas e teatro
- bloco esportivo: basquete, vôlei, futsal, xadrez,
ginástica olímpica, tênis de mesa, capoeira,
natação, judô
O projeto dos CEUs traz à pauta o desafio enfrentado
pelos administradores públicos há anos. Na
decisão pelo destino e aplicação dos
investimentos públicos, às vezes o ponteiro
pende mais para o lado da infra-estrutura e às vezes
para o lado do conteúdo das propostas desenvolvidas
nessa infra-estrutura.
Acompanhando as diversas características e papéis
que o edifício escolar veio assumindo ao longo da evolução
da cidade, não podemos ignorar sua participação
no processo de aprendizado e na construção da
cidade. Em uma época em que a virtualidade e o etéreo
dominam e diante do cenário que a nossa cidade assumiu
pela expansão desordenada, não podemos prescindir
da materialidade, pois é nela que vivemos, trabalhamos
e estudamos. Esta é a grande contribuição
dos CEUs: qualificar o padrão de ocupação
territorial da cidade. A sustentabilidade deve ser objeto
de atenção da comunidade usuária, mas
sua premissa básica permanece inquestionável,
na medida em que neles a educação é instrumento
de abertura de oportunidades e de afirmação
da cidadania.