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PERÍODO 6

A VIRADA DO SÉCULO

O CEU

A origem da proposta dos CEUs é esta: a de reforçar a infra-estrutura de diversas áreas da cidade anteriormente excluídas do mapa.

Segundo o site oficial da Prefeitura de São Paulo (www.prefeitura.sp.gov.br), os Centros de Educação Unificados foram planejados com três objetivos:

1. Desenvolvimento integral das crianças e dos jovens – a proposta reúne ações educativas da Prefeitura em um pólo, juntando a Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) e a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) em um só conjunto, otimizando equipamentos e serviços. O Centro oferece infra-estrutura para o desenvolvimento integral da aprendizagem tanto nos seus aspectos cognitivos, socioculturais, físicos, afetivos e psicomotores.

2. Pólo de desenvolvimento da comunidade – localizado em regiões desprovidas de infra-estrutura e serviços, os Centros se tornarão pólos irradiadores e reorganizadores de relações sociais no bairro, tanto pela escala e característica dos equipamentos nele locados como pela referência de padrão na realidade territorial e social em que está inserido. O equipamento atuará como pólo de desenvolvimento da comunidade, promovendo a integração das experiências culturais da população, assumindo funções de organização e de articulação nos projetos sociais e nas ações de interesse local.

3. Pólo de inovação de experiências educacionais – a partir do desenvolvimento de experiências educativas inovadoras, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, o objetivo é que o CEU atue como Centro de Referência, estendendo o conhecimento adquirido para as demais escolas da região”.

Há, portanto, no projeto dos CEUs, a incorporação de uma série de experiências no planejamento e construção de redes educacionais, tanto no aspecto do “continente” (o prédio escolar) como no do “conteúdo”. Em 2003 são entregues 21 unidades, viabilizando mais de 50 mil novas vagas. Cada unidade do CEU contará com Centro de Educação Infantil (CEI) para 300 crianças, Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) com 900 vagas e Escola de Ensino Fundamental (Emef) para 1.260 estudantes.

“Cada CEU poderá reorganizar o desenho dos bairros periféricos da cidade”, define o arquiteto Alexandre Delijaicov, autor do projeto original, base para cada implantação específica.



Para cumprir com os objetivos, a iniciativa demandará infra-estrutura (da qual as unidades são muito bem providas) e qualidade também nos recursos humanos (professores e orientadores). A idéia central do projeto é aproveitar o conceito de "pracinhas" das periferias e de pequenas cidades do interior, ponto de encontro da comunidade. Revemos aqui o conceito de Escola Parque idealizado na década de 1950 pelo educador Anísio Teixeira e desenvolvido em São Paulo pelo arquiteto Hélio Duarte no período de vigência do Convênio Escolar.

Além da creche, da Emei e da Emef, cada CEU abriga uma escola para jovens e adultos (EJA), telecentro, padaria, centro comunitário, teatro, biblioteca, salas de música e dança, duas orquestras, rádio comunitária, estúdios de produção e gravação multimídia, escola de iniciação artística, ginásio coberto, quadras, pista de skate e piscinas. Cada unidade foi pensada para atrair não só os seus quase 2.400 alunos, mas toda a família e a comunidade. A vizinhança do CEU tem acesso às suas instalações, inclusive nos finais de semana.

Os projetos para os CEUs são concebidos em estrutura de concreto pré-fabricada, mas seus blocos procuram respeitar as especificidades dos terrenos em que são implantados.

Os primeiros 21 CEUs de São Paulo estão nos seguintes bairros:

1. ALVARENGA – Cidade Ademar/Pedreira
2. ARICANDUVA – Itaquera/Cidade Líder
3. BUTANTÃ – Butantã/Rio Pequeno
4. CAPÃO REDONDO – Campo Limpo/Capão Redondo
5. CIDADE DUTRA – Socorro/Cidade Dutra
6. DA PAZ – Freguesia do Ó/Vila Brasilândia
7. INÁCIO MONTEIRO – Cidade Tiradentes
8. JAMBEIRO – Guaianazes/Lajeado
9. MENINOS – Ipiranga
10. MONTE AZUL – Campo Limpo/Jardim S. Luís
11. NAVEGANTES – Socorro/Grajaú
12. PARQUE SÃO CARLOS – São Miguel/Vila Jacuí
13. PARQUE VEREDAS – Itaim Paulista
14. PÊRA-MARMELO – Pirituba/Jaraguá
15. PERUS – Perus
16. ROSA DA CHINA – Vila Prudente/Sapopemba
17. SÃO MATEUS – São Mateus/Iguatemi
18. SÃO RAFAEL – São Mateus/São Rafael
19. TRÊS LAGOS – Socorro/Grajaú
20. VILA ATLÂNTICA – Pirituba/Jaraguá
21. VILA CURUÇÁ – Itaim/Vila Curuçá

O CEU, portanto, revê e atualiza uma longa trajetória de experiência e reflexão sobre a arquitetura escolar, sua presença na cidade e sua relação com o processo de ensinar e aprender. Além da afinidade com o ideário de Anísio Teixeira e Hélio Duarte, o projeto contemporâneo dialoga com outro, ainda mais remoto: na década de 1930, quando dirigia o Departamento de Cultura da cidade, o poeta Mário de Andrade criou parques infantis, que continham “praça de equipamentos” e ofereciam atividades educativas e culturais para os filhos da classe operária, moradores dos bairros periféricos na época (Santo Amaro, Ipiranga etc.).

Como se dividem as instalações do CEU:
- bloco didático: creche, Emei, Emef e EJA
- bloco cultural: orquestra, fanfarra, bandas e teatro
- bloco esportivo: basquete, vôlei, futsal, xadrez, ginástica olímpica, tênis de mesa, capoeira, natação, judô



O projeto dos CEUs traz à pauta o desafio enfrentado pelos administradores públicos há anos. Na decisão pelo destino e aplicação dos investimentos públicos, às vezes o ponteiro pende mais para o lado da infra-estrutura e às vezes para o lado do conteúdo das propostas desenvolvidas nessa infra-estrutura.



Acompanhando as diversas características e papéis que o edifício escolar veio assumindo ao longo da evolução da cidade, não podemos ignorar sua participação no processo de aprendizado e na construção da cidade. Em uma época em que a virtualidade e o etéreo dominam e diante do cenário que a nossa cidade assumiu pela expansão desordenada, não podemos prescindir da materialidade, pois é nela que vivemos, trabalhamos e estudamos. Esta é a grande contribuição dos CEUs: qualificar o padrão de ocupação territorial da cidade. A sustentabilidade deve ser objeto de atenção da comunidade usuária, mas sua premissa básica permanece inquestionável, na medida em que neles a educação é instrumento de abertura de oportunidades e de afirmação da cidadania.

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