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Visão de educador

Exposição itinerante do Projeto São Paulo 450 anos atrai o interesse dos participantes do Fórum Mundial de Educação

Surpresa e curiosidade. Essas duas palavras descrevem com precisão a reação de quem viu a exposição itinerante 450 anos São Paulo Capital, que ficou em cartaz durante o Fórum Mundial de Educação, que aconteceu no começo de abril, em São Paulo.

As imagens - que mostram os principais marcos de São Paulo, representando um panorama da evolução da cidade desde o século XIX até o século XXI - despertaram o interesse dos participantes do Fórum. Muita gente visitou a exposição, dedicando atenção cuidadosa e um olhar sensível, tipicamente de professor dedicado a uma causa social, como era a maior parte do público no evento.

Com um clima estimulante, por causa da reunião de milhares de pessoas que trabalham com educação social, o Fórum foi uma oportunidade única para mostrar a exposição do Projeto São Paulo 450 anos , já que seu objetivo é proporcionar um cruzamento entre os conceitos de cidade e educação.

“Essa exposição é muito interessante porque nos dá uma boa dimensão da cidade, de sua história. É incrível ver como já tínhamos tantos prédios há tanto tempo”, conta Ricardo Scalea, 20 anos, educador social de São Bernardo do Campo. Ao apontar para uma das imagens, Ricardo, que também tem um interesse particular por fotografia, lança um olhar mais estético: “Gosto desse visual skyline ”. Paula Comar, de 21 anos, que trabalha com Ricardo no projeto PUC – Nova Escola, também se empolgou com as mudanças da cidade. “É até assustador ver como uma cidade muda tão depressa”.

Os cariocas Selma Lima, 41 anos, e Eliézer Lima, 27, fizeram uma analogia interessante entre a exposição e seu trabalho como educadores, no Rio de Janeiro. O projeto do qual participam, a Cruzada do Menor, no Rio de Janeiro, busca a inclusão de jovens carentes por meio de projetos educativos, culturais e profissionalizantes. “Quando você conhece a história da cidade, passa a dar mais valor a ela e também a si mesmo”, explicam os educadores, que trabalham sob o lema “Educar para transformar”.

Para quem não é de São Paulo, como a carioca Cricia Ramos, de 24 anos, a exposição se transformou em uma aula de história. “É muito curioso acompanhar as mudanças da cidade no decorrer das imagens. É uma pena que muitas mudanças foram ruins. Mas ao mesmo tempo é fantástico observar todo esse crescimento. Passei a me familiarizar mais com a história da cidade”, afirma Cricia, que é professora do ensino fundamental.

Para Victor de Moura, 20 anos, professor de educação física de Presidente Prudente, as transformações da cidade também foram o principal ponto de interesse na exposição. “É incrível. O antes e o agora estão muito bem retratados, pois vendo o passado a gente entende o presente. Podemos visualizar muito bem esta evolução”, explica.

“A cultura, a arquitetura, os hábitos podem ser vistos em detalhes”, conta a educadora Maria das Graças, 42 anos, da ONG Fala Preta. Ela mostra um olhar diferente sobre os detalhes da vida cotidiana na metrópole. “Olha só para as lavadeiras no rio Tietê”, aponta a educadora. “É incrível saber que um dia este rio serviu para o trabalho dessas mulheres”.

Entre todos os entrevistados, a idéia de que conhecer a história da cidade, por meio de imagens que mostram suas peculiaridades geográficas e hábitos cotidianos, é um dos principais pontos para conhecer a si mesmo, o outro e para aplicar este conhecimento na prática de transformações sociais.

Os pontos negativos do crescimento desordenado, que também assusta a todos diante da velocidade com que a cidade mudou ao longo dos anos e do crescente individualismo nas grandes metrópoles, são vistos como mais um desafio na tarefa de educar, pois também servem como parâmetro para uma educação que tem como desafio a solidariedade e o aprendizado coletivo.
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