Oficinas trazem novas opções de trabalho para a
sala de aula
O usual quadro negro, o giz colorido e a sabedoria dos professores apenas já não são suficientes para prender a atenção dos alunos em sala de aula. A fim de despertarem a criatividade e desenvolverem novas idéias para trabalhar com os estudantes, professores participam de atividades extras que resgatam a história de São Paulo.
Um modelo desse empenho são as oficinas do Projeto Educacional São Paulo 450 anos , iniciadas em seis de março, nos CEUs e em algumas escolas municipais. Os trabalhos, que contam com a colaboração dos profissionais do Cedac (Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária), variam entre artes visuais, música e fotografia, todos voltados para o aniversário da cidade.
 |
Na oficina de fotografia, por exemplo, realizada na Coordenadoria de Educação da Subprefeitura da Mooca, zona leste de São Paulo, e ministrada por Inaê Coutinho, 33, professora de fotografia pelo Cedac, os educadores aprenderam como montar uma câmera fotográfica com latas de alumínio e técnicas para tirar fotos, utilizando entre o material básico latas, fita isolante e tinta de cor preta. Além de analisarem imagens dos livros São Paulo 450 anos: de vila a metrópole e São Paulo 450 anos: a escola e a cidade . “A gente dividiu a oficina em uma parte prática e outra mais técnica. Acho que foi uma experiência riquíssima. Eles ficaram muito empolgados”, explica Inaê que há 14 anos trabalha com fotografias, principalmente da cidade de São Paulo. Ela também pretende utilizar o material em suas aulas particulares, fazendo uma leitura histórica das imagens, com descrição e observações atreladas ao repertório de cada aluno. “Eu pretendo usar nas minhas aulas também. Acho um material muito bem estruturado, de primeira qualidade”.
 |
Para alguns professores a novidade foram as diferentes técnicas apresentadas, que enriquecem o projeto e, certamente, trará entusiasmo às crianças. “A oficina é fantástica. A princípio, pensei que fosse mais uma palestra sobre fotos, leitura de imagens e, na verdade, foi muito mais do que isso. Aprendemos até como fazer uma câmera fotográfica. Para a criança, isso enriquece porque faz parte de um novo aprendizado”, explica Wagner Roberto de Castro, 36, professor da escola Raimundo Corrêa, no Jardim Helena, e CEU Parque São Carlos, em São Miguel Paulista, localizadas na zona leste da cidade. A professora Sueli Aguiar, 46, da escola Marechal Mascarenhas de Moraes, no Parque São Lucas, também na zona leste, destaca a importância de uma atividade prática: “Achei interessante a questão do fazer. Se nós adultos ficamos interessados em pôr a mão na massa, imagine a criança”.
 |
A oficina de artes visuais, ocorrida na escola Jackson de Figueiredo, no bairro do Tatuapé, zona leste da cidade, comandada pela educadora de artes Laura Gosrki, 21, também trouxe aos participantes atividades que resgataram a história da cidade de maneira prática e criativa. Primeiro, os professores fizeram desenhos ou mapas do percurso percorrido no dia-a-dia de cada um, com destaque para alguns pontos de referência, fazendo um paralelo entre os marcos pessoais e históricos da cidade de São Paulo destacados no livro. Depois, os cerca de 20 participantes da oficina foram à uma praça em frente à escola e desenharam tudo aquilo que achassem de mais interessante. A partir desses desenhos foram criadas algumas paisagens com tinta guache de seis cores diferentes, em cartolinas emendadas. “Fiquei muito satisfeita com o resultado e senti que os professores gostaram muito”, conta Laura.
 |
Segundo a coordenadora de educação da subprefeitura da Mooca, Érika Juffernbruch, 39, a oficina é muito importante, pois veio para completar um trabalho iniciado desde o ano passado sobre os 450 anos de São Paulo. “Quando soube da oficina, fiquei muito feliz. Tínhamos pensado em fazer algo, mas não nos moldes e não com a infra-estrutura que nos foi dada”. A coordenadora também explica a importância da oficina para que o professor veja como é factível aplicar as atividades em sala de aula. “A oficina movimenta, estimula e motiva os professores a praticarem com os alunos. É disso que os professores precisam: mais elementos, saber que existem coisas novas e criativas”, afima Érika.
 |
Algumas turmas de professores já pensam em utilizar o material nas escolas. “Vamos levar o projeto para os demais colegas e aplicaremos com os alunos”, afirma Angela Damaso, 51, professora da escola municipal Armando de Arruda Pereira, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Para Angela Rossetti, 49, professora da área de informática da mesma escola, esse tipo de projeto traz de volta o respeito pela cidade, deixando um pouco de lado a idéia exclusiva de violência. “Um trabalho como esse resgata o amor pela cidade e o prazer em permanecer nela”.