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Tradição em conhecer a cidade

Projeto São Paulo 450 anos foi mais um estímulo para escola no Jabaquara que valoriza a tradição de pensar a cidade

A implantação do projeto São Paulo 450 anos na EMEF Armando de Arruda Pereira foi um exemplo de sucesso. A escola, que já contava com programas voltados para questões sobre a cidade de São Paulo em seu projeto pedagógico oficial, considerou o novo projeto mais um estímulo para dar continuidade à inserção de projetos sobre a cidade no cotidiano de seus alunos.

Não é tarefa fácil. A realidade nas escolas públicas brasileiras - que têm verbas limitadas e com um cotidiano complexo de dificuldades sociais - torna a participação em iniciativas como essa um verdadeiro ato heróico, que depende principalmente da força de vontade de seus professores, coordenadores e alunos.

Na escola Armando de Arruda Pereira, o cenário não é diferente. Apesar de estar localizada no bairro de classe média do Jabaquara, na zona sul da cidade, grande parte de seus alunos é proveniente de bairros periféricos, localizados a até 5 quilômetros de distância do local, com sérios problemas de violência urbana e carência econômica.

Mas, mesmo em meio às dificuldades, a escola sempre acreditou no conhecimento da cidade como um pilar importante para o desenvolvimento pedagógico de seus alunos. “A apropriação dos espaços urbanos, a história de nosso bairro e até mesmo de nossa escola já eram prioridades aqui, uma semente sobre a importância da cidade no imaginário de nossos jovens”, explica a coordenadora pedagógica Aparecida Eliane de Moraes.

Realizando alguns projetos nesse sentido há algum tempo, a escola acabou encontrando no projeto São Paulo 450 anos uma boa oportunidade para juntar as comemorações de aniversário da cidade a ações pedagógicas. Na avaliação oficial feita entre a coordenação e os professores participantes do projeto, o resultado foi satisfatório. Apesar de algumas dificuldades, como a questão de infra-estrutura, a coordenadora avalia como muito positiva a experiência.

As ações implantadas na escola foram inúmeras. Os kits do projeto foram estudados e discutidos pelos professores, que também participaram das oficinas de arte oferecidas pelo projeto. Também contaram com materiais adicionais, oferecidos pela própria escola, como o livro “Cidade em Pedaços” (editora Brasiliense). Depois de feitas as primeiras reuniões, começaram a ser implantadas ações ligadas diretamente ao projeto e outras paralelas, em sala de aula, e coordenadas pelos professores.

A principal ação do projeto foi a inauguração da exposição itinerante São Paulo 450 Anos, que contou com os painéis fotográficos fornecidos pelo projeto, além de trabalhos realizados pelos alunos sob a orientação dos professores que participaram das oficinas de arte. A inauguração, no dia 2 de abril, foi uma verdadeira festa, não apenas para alunos e professores, mas para familiares e a comunidade em geral, que também foram convidados.

As paredes do grande pátio de entrada da escola ficaram inteiramente cobertas com trabalhos de artes plásticas feitos pelos alunos e com os painéis de fotografias do projeto. Para a ocasião, a banda marcial da escola preparou arranjos de composições que são símbolos da cidade de São Paulo, como Sampa, de Caetano Veloso, e Trem das Onze, do saudoso sambista Adoniran Barbosa (1910/1982). No evento, também foi exibido um vídeo-documentário sobre a cidade.

“Uma das vantagens do projeto na nossa escola é que colocamos a exposição em um local em que as pessoas têm mais acesso, e não a deixamos fechada em uma sala de aula. A exposição acaba participando do cotidiano dos alunos, que obrigatoriamente passam por aqui todos os dias”, conta a coordenadora.

Muitos dos trabalhos realizados pelos alunos foram provenientes das instruções recebidas pelos professores nas oficinas de arte, que aprenderam a fazer colagens e utilização de material reciclado. Um dos principais trabalhos é um enorme painel horizontal, feito com colagens de imagens de revistas e tinta. No resultado, uma cidade cheia de prédios acaba dialogando com uma enorme floresta, revelando uma visão positiva da metrópole.

Em sala de aula, diversas ações foram implementadas. Nas aulas de inglês, por exemplo, os alunos tiveram de fazer redações sobre São Paulo, mas, claro, em inglês. “Nas aulas de informática, os alunos se empenharam em pesquisas na Internet para fazer trabalhos. Parecem livros sobre a história de São Paulo e sobre a história do bairro Jabaquara”, conta a professora de informática educativa Ângela Peroni Rossetti.

Entre as dificuldades do projeto, Eliane aponta a baixa participação de alunos dos períodos matutino e vespertino, com idade entre 10 e 14 anos (uma das prioridades do projeto é a participação de alunos do Ensino Fundamental), e problemas inerentes à infra-estrutura. Recentemente, por exemplo, as chuvas fortes acabaram deteriorando uma parte do material. Na avaliação da coordenadora, os 15 dias para a organização do projeto foram suficientes, apesar de terem coincidido com outros eventos, como a Bienal do Livro e o Fórum Mundial de Educação.

Como se pode concluir, o sucesso do projeto acabou compensando as pequenas dificuldades. Seu êxito parece ainda mais interessante por causa da participação de jovens alunos que, apesar de viverem em uma metrópole gigantesca e em situações precárias, ainda se preocupam com a cidade, a convivência e a solidariedade. E que, além de tudo, encontram aspectos positivos em seu cotidiano.

Como Elizabete Rodrigues dos Santos, Cristiane Alves de Sousa e Willian Almeida de Oliveira, todos com 13 anos, que participaram de um dos trabalhos implantados pela escola, a preparação de cartazes com o mote “Dez motivos para gostar de São Paulo”. No cartaz, esses alunos destacaram o lazer, o turismo, a mistura de povos, entre outros aspectos. São características que, para eles, fazem de São Paulo uma grande cidade, única.

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