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Quando o espírito de equipe prevalece

Escola na Zona Leste mostra que a união entre educadores e alunos pode transformar sonhos em realidade.

Uma imensa comunidade carente circunda a EMEF Rodrigo Mello Franco de Andrade. O Jardim Colonial, no bairro de São Mateus, é daquelas regiões de baixíssima renda que se espalha pelas pontas da Zona Leste de São Paulo, onde um mar de casinhas a perder de vista sugere a dimensão que a cidade adquiriu em seu vertiginoso crescimento desordenado.

Foi nesta escola que um grupo de educadoras muito animadas colocou em prática a comemoração de aniversário da cidade, inspirada principalmente no Projeto São Paulo 450 Anos. As professoras Kátia Regina Amorim Fortunato, de história, Kely de Cássia Vitiello, de artes, Elaine Cristina Oliveira, de português, Rosângela Forno Vazquez, de informática educativa, e a coordenadora Dinah Aparecida Tocaia de Oliveira, não pouparam criatividade e solidariedade para juntar a criançada em torno do tema.

“O Projeto São Paulo 450 Anos foi um grande impulso para nossas iniciativas dentro da escola”, conta Kely, que participou da oficina de fotografia. Ela conta que o principal projeto, inspirado no kit enviado para a escola, foi um concurso de desenhos e poesias sobre São Paulo. “Foi muito gratificante, pois mesmo diante de tantas dificuldades conseguimos fazer com que os alunos participassem do concurso. O resultado foi maravilhoso”, afirma a professora de português Elaine.

A força expressiva dos desenhos e das poesias revela o enorme potencial artístico dos alunos participantes do concurso, a maioria do terceiro turno, de 5a à 8a série, entre 11 e 17 anos. Eles se enquadram em um perfil um tanto desafiador: muitos não têm pai, a mãe trabalha fora, e passam a maior parte do dia aos cuidados de uma avó, tia ou vizinhos.

Um dos pontos ressaltados pelas educadoras foi a visão desses alunos sobre a cidade. “É incrível como eles falam bem da cidade. Apesar de tanta adversidade, demonstraram que é uma cidade que os acolhe. Também descobrimos que muitos nunca foram ao centro da cidade. E, apesar de não se identificarem com esta região, gostam muito de São Paulo”, lembra Elaine.

Autor: Weslley Oliveira Miranda

Outro motivo de orgulho para as educadoras é a apresentação em power point sobre o concurso e seus vencedores. Produzida inicialmente para ser apresentada na Reunião Geral de Pólo (RPG), que ocorreu no dia 15 de setembro, a apresentação traz animações com letras e música, e também foi mostrada aos alunos na escola. “Essa apresentação valorizou ainda mais o trabalho e a auto-imagem dos nossos alunos”, conta a professora de informática educativa Rosângela.

Autor: Weslley Oliveira Miranda

A experiência trouxe aspectos positivos até para a própria escola, que durante o processo construiu uma verdadeira lição de solidariedade entre seus profissionais, que tiveram de fazer verdadeiros malabarismos com seus compromissos e horários para poder viabilizar os encontros. “O importante de tudo isso foi o trabalho coletivo. Todo mundo participou, pessoal da limpeza, auxiliares, professores, até mesmo pessoal de outras escolas”, explica a coordenadora Dinah. O prêmio também foi conseguido com o esforço das professoras, que arrecadaram dinheiro do próprio bolso para comprar lapiseiras.

Autor: Weslley Oliveira Miranda

“Eu acho que uma grande lição desse projeto é a perseverança. É muito fácil começar algo, mas é muito difícil terminar. E isso não acontece se não for feito em conjunto e inclusive com o apoio da supervisão, que na nossa escola é muito flexível e libertária”, conta Rosângela. Já na visão da supervisora Erotides Pires de Amorim, o perfil desses educadores tem sido um dos aspectos mais importantes para manter a proposta didática da escola, que tem na sua rotina a tradição de projetos diferentes, “formadores de cidadãos”.

Autor: Weslley Oliveira Miranda

E a escola não vai parar suas comemorações por aí. Já está em andamento um projeto de história em quadrinhos resgatando valores sobre a cidade. “As imagens tem um poder forte nas crianças. Tinha notado isso quando fiz um projeto sobre a arte moderna em São Paulo. Eles assimilaram muito bem o conteúdo”, afirma a educadora da arte Kely. Além da história em quadrinhos, também está previsto um projeto musical a ser implantado no período noturno.

“A gente gosta de sofrer e é por isso que já vamos começar outro projeto”, brinca a professora Elaine. Ironias à parte, parece mesmo que as dificuldades são apenas mais um impulso para esta sonhadora turma de educadoras. “Mostramos aos alunos que eles foram capazes de chegar até aqui e que eles podem chegar aonde eles quiserem”, afirma Kely. Com tanto incentivo e força criativa, a EMEF Rodrigo Mello Franco de Andrade é um exemplo de sucesso para o Projeto São Paulo 450 Anos, que só tem a agradecer a seus educadores, demais profissionais e alunos. Parabéns a todos!

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