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SUGESTÕES DE TRABALHO

SUGESTÃO 4

PROJETO: CONHEÇA SEU BAIRRO


Áreas: Artes, história, geografia e português
Fontes de informação: Livros dos 450 anos de São Paulo e outros
Colaboradores: Familiares, artistas plásticos e outras pessoas da comunidade.

Descrição
Nesta seqüência de atividades se propõe que os alunos façam uma pesquisa sobre a história do bairro onde se localiza a escola. Além da leitura de textos que abordam o processo de urbanização da cidade de São Paulo, que contribuiu para a formação de diversos bairros, também estão previstas consultas à Internet e entrevistas a antigos moradores do bairro.

Justificativa
Conhecer a história de lugares que significativos em nossa vida permite reconhecer que somos parte dessa história. Além disso, aprofunda os conhecimentos já construídos a respeito das mudanças que ocorreram em nossa cidade, em função dos avanços tecnológicos, do modo como os agrupamentos humanos ocuparam o espaço urbano, das necessidades e anseios das pessoas para responder a diferentes demandas. Conhecer as mudanças, relacioná-las ao momento em que ocorreram, identificar algumas de suas causas é também perceber como a história interfere em nossas vidas.

O uso de fontes vivas, através do depoimento de antigos moradores, como forma de melhor o bairro em outros tempos, relacionando essas informações a outras (a partir de fotos e textos escritos) permite ampliar a visão dos alunos do que seja uma pesquisa histórica, reconhecendo a importância de tais depoimentos e seus autores. A partir dessas fontes, temos a possibilidade de uma dimensão mais humana e afetiva na compreensão das diversas mudanças ocorridas através do tempo no espaço que nos rodeia.

Nível de escolaridade
Sugerimos que este estudo seja proposto a alunos do segundo ou terceiro ciclo do ensino fundamental (de terceira a sexta série)

Objetivos
• Conhecer as mudanças que aconteceram através do tempo, na paisagem do bairro onde fica a escola, identificando-as às ações do homem em seu meio.
• Relacionar algumas características da paisagem de diferentes épocas ao modo de vida das pessoas.
• Reconhecer algumas características do entorno como respostas a necessidades dos diferentes grupos humanos que ocupam o espaço urbano.
• Saber localizar-se no espaço, utilizando-se de pontos de referência compartilhados.
• Utilizar a linguagem oral, numa situação de entrevista, como ouvinte e tomando a palavra para colocar questões pertinentes.

Materiais
• Textos do livro “São Paulo 450 anos – de Vila a Metrópole”.
• Mapa da cidade de São Paulo.
• Registros e demais documentos do bairro e da escola.

Etapas
Preparação do professor
Antes de propor o trabalho em classe, sugerimos que os professores identifiquem as fontes que possam contribuir para a pesquisa.
A leitura de diferentes materiais permite que se compreenda melhor a história dos bairros paulistanos. Sugerimos a pesquisa em alguns sites da Internet que trazem interessantes informações sobre a história dos principais bairros paulistanos. Além disso, as páginas 49 a 60 do material “SP 450 anos - de Vila a Metrópole” fornecem um panorama bastante completo das mudanças sofridas pela cidade no início do século 20, sua crescente urbanização e a forma como os diferentes grupos ocuparam seu espaço. A origem dos bairros operários assim como o surgimento dos bairros nobres da cidade estão marcados por relações sócio-econômicas que são abordadas no referido trecho do livro.

Sugerimos que o professor faça a leitura atenta desse material. Selecionamos alguns itens presentes no texto que entendemos ser importante enfatizar:
» O aumento demográfico experimentado pela cidade no início do século 20 e suas causas.
» Os grupos de imigrantes.
» O contraste entre os bairros operários e os bairros ricos.
» Os transportes e a chegada do bonde elétrico.
» A vida nos bairros operários.
» Os bairros “elegantes”.

O livro “Memória e Sociedade: lembranças de velhos”, de Eclea Bosi é valioso: nele a autora reconstrói de maneira comovente parte da nossa história, através dos depoimentos dos idosos. Selecionar alguns destes depoimentos para ler com os alunos permite que estes se envolvam de maneira mais significativa com o trabalho proposto. No material dos 450 anos, no trecho citado acima, há vários depoimentos retirados desse livro que vale destacar e trazer para a sala de aula.

Outro material excelente para pesquisar a história da nossa cidade e a formação dos bairros é o livro “São Paulo de Piratininga: de pouso de tropas a metrópole”, da Editora Terceiro Nome em parceria com o jornal O Estado de São Paulo. Além das fotografias primorosas que compõem o livro, a introdução traz informações interessantes sobre as condições que favoreceram o crescimento da cidade. Parte das imagens deste livro estão disponíveis no seguinte endereço eletrônico: www.terceironome.com.br/imagens_piratininga)

Para que o trabalho fique mais interessante, é importante pesquisar no bairro, em diferentes entidades (a própria escola, a igreja mais próxima, em clubes ou associações de moradores) quem são os habitantes mais antigos, para convidá-los a conversar com os alunos, além de solicitar-lhes fotos e outros materiais que ilustrem aspectos do bairro e do modo de vida de seus habitantes.

Buscar na escola, na paróquia, nas subprefeituras e em outras instituições documentos diversos tais como fotos, desenhos, registros escritos, que ilustrem a história do bairro tornarão o estudo mais rico. Pesquisar esse material com antecedência é uma forma de se planejar melhor, sabendo com antecedência os recursos com os que se pode contar.

Leitura dos textos do material dos “São Paulo 450 anos, de vila a metrópole”
Os textos compreendidos entre as páginas 49 e 60 trazem importantes informações sobre as condições de nossa cidade, no início do século passado, que contribuíram para sua transformação num grande centro urbano.

A leitura não deve acontecer de uma vez (sugerimos que seja feita em três aulas) deixando os capítulos que descrevem os bairros operários e os bairros elegantes em aulas separadas. Por se tratar de um material que traz informações mais complexas, é interessante que cada trecho seja antecedido por explicações orais do professor, pois estas contribuirão para que os alunos tenham mais elementos para acompanhar a leitura. Por exemplo, já no início, os autores escrevem “A substituição da mão-de-obra escrava para a assalariada atraiu para o Brasil grandes fluxos de imigrantes”. É interessante que, antes da leitura do trecho em questão, o professor explique o que foi a escravidão e como é o regime de trabalho escravo em oposição ao trabalho assalariado.

Como este estudo é sugerido para alunos a partir da 3ª série do Ensino Fundamental, já podemos contar com certa autonomia na leitura por parte da maioria dos alunos. Ler trechos do texto coletivamente (o professor lê em voz alta enquanto os alunos o acompanham em suas cópias), especialmente aqueles que contém informações que envolvem maiores explicações, e deixar trechos (os depoimentos, as legendas das fotos, os quadros com dados numéricos) para que os alunos leiam em duplas e depois discutam o que cada um compreendeu é uma forma dinâmica de ampliar a compreensão dos alunos.

Depois da leitura propriamente, levantar os pontos importantes, listando-os num quadro que indique aquilo que se aprendeu sobre a origem dos bairros da nossa cidade é uma excelente maneira de sistematizar as informações que foram lidas. Também sugerimos que se utilize o mapa da cidade de São Paulo como apoio à leitura e, à medida que os bairros são citados no texto, estes sejam localizados no mapa.

Passeio pelo bairro
Por estudarem na escola, espera-se que os alunos conheçam o bairro onde esta se localiza. No entanto, é comum que tenham um conhecimento intuitivo em relação aos trajetos que percorrem diariamente, e dificilmente conseguem comunicá-lo aos demais, sem que haja uma ação voltada para tal aprendizagem. Sugerimos que se organize um passeio pelo bairro, saindo da escola em direção a algum lugar conhecido dos moradores da região (uma praça, uma igreja, um prédio público). No percurso, orientar os alunos para que observem atentamente o que existe no caminho (residências, comércio, áreas verdes), o estado de preservação e o trânsito nas ruas (pavimentadas ou não, limpas ou não, movimentadas ou calmas), as condições para os pedestres etc.

Antes desta saída, é interessante que o professor mostre aos alunos um mapa ou croqui que representa o percurso que será feito, assinalando alguns dos pontos de referência por onde se passará. Conversar sobre este mapa, saber se conhecem ou não os pontos indicados, além de ser uma forma de antecipar como será o passeio, também favorece que os alunos aprendam a se localizar no espaço utilizando essas representações. Sugerimos que cada aluno tenha este mapa durante o passeio e, à medida que passem por pontos importantes no trajeto, localizem-nos no mapa.

Durante o passeio é interessante registrar de alguma maneira o que vêem: podem levar uma máquina fotográfica ou fazer desenhos a lápis. Além disso, recorrer constantemente ao mapa para saber decidir como prosseguir para chegar ao destino combinado, verbalizar e pedir aos alunos que também o façam se é preciso seguir em frente, virar à direita ou esquerda permite que os alunos se familiarizem com estas noções espaciais.
Após o passeio vem o momento de trocar impressões e anotar algumas observações. Esta tarefa é facilitada se algumas perguntas orientarem a conversa. É importante que os alunos conheçam essas perguntas antes do passeio, pois lhes indica para onde é preciso direcionar sua atenção. As perguntas que sugerimos são as seguintes:
• No percurso realizado há mais casas ou prédios?
• Há mais imóveis residenciais ou comerciais?
• As moradias compõem-se principalmente de residências luxuosas, médias ou mais humildes?
• Encontramos áreas verdes em nosso caminho? Em que estado de conservação?
• As ruas estão bem pavimentadas? Há um tráfego intenso de veículos?
• As condições para que fizéssemos o passeio foram boas (estado das calçadas, facilidade para atravessar ruas etc.)?

Após o passeio é interessante que os alunos organizem um pequeno texto em que descrevem seu bairro para uma pessoa que não o conhece. Além da oportunidade de escrever um texto descritivo, esta também é uma forma de sistematizar aquilo que os alunos observaram.

Pesquisa em textos
Depois do passeio, pode-se fazer uma consulta a registros escritos que abordem a história do bairro em que se encontra a escola. Neste momento também é interessante buscar informações sobre a escola (na própria secretaria ou em outros órgãos): há quanto tempo ela existe? O que funcionava antes naquele espaço? Quais as mudanças por que passou a escola?

Alguns sites da Internet trazem textos interessantes sobre os bairros paulistanos. Sugerimos os seguintes:
www.folha.uol.com.br/folha/almanaque
www.sampa.art.br
www.spsitecity.com.br

Quando se opta pela pesquisa online, é interessante que os próprios alunos façam a consulta diretamente no site. Se isso não for possível, o professor poderá trazer o material impresso, sem esquecer de citar a fonte de onde foi retirado.

Além das informações sobre o bairro, pode-se trazer a lista dos bairros disponíveis em cada site e aproveitar para localizar cada um deles no mapa da cidade.

A leitura destes textos também pode ser feita em duplas, sem esquecer que depois é preciso que toda a classe se reúna para registrar as informações mais relevantes.

Entrevista com antigos moradores e outras fontes
Pesquisar na comunidade quem são os antigos moradores(envolvendo os alunos nessa tarefa) e convidá-los a comparecer à escola para que tragam seus depoimentos é uma forma de propiciar aos estudantes uma maior compreensão de como era o bairro, quais as principais transformações por que passou, quais os motivos que levaram a tais mudanças, além de conhecer como era a vida antigamente, como as pessoas se divertiam, como se locomoviam de um lugar a outro, quais os principais problemas que enfrentavam. Ao mesmo tempo em que acompanham de maneira respeitosa o relato de uma pessoa que traz informações tão ricas, comparam o modo de vida do passado com o atual, percebem o que permaneceu e o que mudou (por exemplo, pode ser que no depoimento seja colocado que antigamente as pessoas não tinham tanta preocupação com a segurança de suas casas, que era comum que as portas permanecessem destrancadas, o que hoje não se mantém. Por outro lado, pode-se constatar que algumas coisas permanecem, como o uso da praça no final de semana, como espaço de lazer).

Outro dado que é interessante explorar nesse momento refere-se à escola: perguntar ao convidado se ela sempre esteve lá, o entrevistado se lembra o que existia antes da construção do prédio da escola? Este prédio já teve outra função? A escola sempre foi assim ou passou por reformas?

Antes da chegada do visitante, é interessante orientar os alunos a ouvir atentamente o que o convidado tem para nos contar. Além disso, organizar algumas perguntas, que os próprios alunos se encarregarão de propor torna a atividade mais produtiva.

Quanto mais depoimentos como este os alunos tiverem oportunidade de acompanhar, mais rico se torna esse trabalho, uma vez que podem perceber que quando aprendem a partir de fontes orais é comum que aconteçam contradições entre os relatos, que estes são menos objetivos que as fontes oficiais de informação, mas por outro lado, permitem conhecer melhor os vários sentimentos, os vários pontos de vista que sobre um único assunto as pessoas construíram. Permite perceber que a história tem vários interlocutores, e as versões de um mesmo acontecimento podem guardar grandes diferenças entre si, sem que seja possível (nem necessário) saber qual é a certa.

Além da entrevista, aprender sobre a história do bairro também pode se dar através de fontes materiais: fotos, aquarelas ou desenhos que mostrem cenas antigas do bairro, objetos que eram usados antigamente, documentos escolares (boletins e carteirinhas onde se anotava a presença) também permitem visualizar as mudanças em relação à realidade atual.

Finalização
Como produção final, sugerimos que os alunos construam um texto coletivo (farão um ditado para que o professor escreva) em que contem a história do bairro, sem deixar de incluir as informações que aprenderam na pesquisa em fontes escritas e a partir do relato das pessoas que contribuíram para o estudo. Este texto pode ser enriquecido com diversos registros visuais (fotos, desenhos) e, se for possível, poderá ser publicado no jornal do bairro.

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