Untitled Document
HOME | ENTRE EM CONTATO   
Untitled Document
SUGESTÕES DE TRABALHO

SUGESTÃO 6

PROJETO: HISTÓRIA DAS ESCOLAS – HISTÓRIA DA ESCOLA


Áreas: Artes, história, geografia e português
Fontes de informação: Livros dos 450 anos de São Paulo e outros
Colaboradores: Familiares, artistas plásticos e outras pessoas da comunidade.

Descrição
Esta é uma proposta destinada aos educadores que atuam nas escolas. Consideramos educadores a todos os profissionais que trabalham numa escola, uma vez que tendo esta a função de educar as crianças e jovens para a vida social, sabemos que todos os que nela atuam são investidos desta função, mesmo que suas tarefas não estejam diretamente relacionadas ao ensino.

Através do documento “São Paulo – 450 anos: A Escola e a cidade” e a pesquisa nos arquivos da própria escola, se buscará um paralelo entre a história das escolas na cidade de São Paulo e a história de cada escola, em particular, procurando relacionar o período em que foi fundada, o papel que naquela época esperava-se que cumprisse, as mudanças por que passou e sua importância no cenário atual, não apenas enquanto desempenha o papel mais imediatamente reconhecido às escolas (de permitir o acesso dos estudantes a conhecimentos indispensáveis a sua inserção social) como perceber seu papel no bairro ou comunidade em que está inserido.

Objetivos e justificativas
Ao conhecer melhor a história da escola onde atua, espera-se que o profissional valorize ainda mais seu papel e da instituição em que trabalha. A partir do valor que diferentes épocas associaram à instituição escolar e o conhecimento quanto à forma como seus espaços foram concebidos, espera-se favorecer o reconhecimento de seu papel e do seu valor, e a importância da escola como espaço de promoção da cidadania para todos os estudantes que a freqüentam.

Encaminhamentos
Nossa proposta é que a leitura do material relacionado à história das escolas aconteça dentro das escolas, em pequenos grupos de trabalho ou com todo o corpo de funcionários (se esse número não for muito grande). Tais momentos de reflexão podem acontecer dentro dos espaços de reunião já existentes na escola ou criados exclusivamente pare este fim.

Para que sejam produtivos, a coordenação precisa assumir um lugar de liderança que ao mesmo tempo esteja aberta a escutar as diferentes opiniões dos educadores, também atue para superar possíveis impasses e abra perspectivas ao grupo, não o deixando paralisar-se pelas queixas infindáveis, decorrentes da constatação das dificuldades com que se deparam os educadores na conjuntura atual.

Caminhos são possíveis desde que cada grupo de trabalho busque encontrar as soluções adequadas às suas questões. Seria muito interessante que tal liderança fosse assumida pelos próprios diretores, já que para eles será uma ótima maneira de manter ou construir uma boa relação com sua equipe.

Além da leitura, proporemos algumas atividades em que cada um coloque sua vivência pessoal (relacionando-a com a escola em que trabalha) e outras de pesquisa, na qual se buscará reconstruir a história da escola, identificar sua importância para a comunidade onde está inserida e os principais problemas que encontra no cumprimento de seu papel.

Os encontros
Nossa proposta é que cada encontro conste de dois momentos:

O primeiro, a partir da leitura e discussão do livro “São Paulo – 450 anos, a escola e a cidade”. Neste material, “as escolas” que a cidade já teve e o papel que cumpriam em cada momento histórico são abordados, além de chamar a atenção dos profissionais sobre a relação que existe entre o papel educacional das escolas, seu significado social e a forma como seus prédios foram concebidos e construídos.

Nesse sentido, a leitura do índice é bastante reveladora: de uma “escola fortaleza” passa-se à escola que se contrapõe à catedral, depois à “escola parque”, e finalmente os esforços das autoridades e técnicos para equacionar a crescente demanda por vagas, quando se aborda a escola como um “problema de escala”. Em cada um desses capítulos, “desenha-se” diferentes lugares para o ensino, concebe-se de maneiras distintas a formação que se deve oferecer nas instituições a ele destinadas. Conhecer essas concepções e relacioná-las ao lugar reservado hoje à educação é uma forma de garantir maior engajamento dos educadores com seu próprio papel.

O segundo momento, posterior à leitura do documento, é reservado para que os educadores troquem experiências como profissionais dessa escola, seja conversando sobre aquilo que pensam ou sabem sobre a escola e sua inserção na comunidade a quem atende ou pesquisando nos documentos disponíveis na própria instituição ou recorrendo a outras fontes (arquivos da Secretaria da Educação ou da prefeitura), confrontando assim o registro mais pessoal e vivenciado de cada um e do grupo de agentes institucionais com aquilo que se poderia chamar de história oficial da mesma instituição.

Relacionar a vivência mais afetiva (dada pela história de cada um e do grupo) àquilo que é reconhecido como oficial e ainda a um documento que analisa os diferentes momentos que podem ser identificados ao longo da história da cidade de São Paulo, permite construir uma dimensão mais profunda do trabalho que se realiza numa escola e isso terá, com certeza, efeitos na forma como cada profissional percebe seu papel dentro da dinâmica institucional.

A seguir descreveremos cada encontro proposto.

1º encontro – A escola dos colonizadores e a escola na República / escrita da história da escola
Na primeira parte, a leitura do material (compreendida entre as páginas 6 e 14) poderia ser feita em pequenos grupos. Parte do texto pode ter sido lida previamente, para que esse momento não se torne excessivamente longo e cansativo.

Sugerimos que dois dos textos sejam lidos no próprio encontro, já que contém material importante para reflexão: “Escola ou fortaleza?” (pg. 9) por deter-se nas características do prédio da primeira escola paulistana, enfatizando o objetivo dos jesuítas de catequizar a população e a necessidade de defender-se dos inimigos. O segundo texto que sugerimos é “Escola ou catedral” em que se frisa o caráter laico que a escola assume com a República e seu papel central na difusão dos valores que à República interessava consolidar.

Cada um dos textos enfatiza lugares diferentes para a educação: de instrumento de colonização/dominação a difusor da cultura, da origem voltada à formação religiosa para a conquista de um lugar independente da igreja, como pólo difusor de teorias científicas. Lugares esses que refletem o lugar da escola em momentos distintos da história, no imaginário das pessoas de diferentes épocas. Pode-se propor no final a discussão seguinte: qual será, nos tempos atuais, o significado de ir à escola? Uma obrigação? Um direito garantido por lei? Uma necessidade para inserir-se num mercado de trabalho cada vez mais restrito?

Após a leitura, sugerimos que cada educador escreva sua versão da história da escola em que trabalha, da forma como sabe ou imagina. Cada um terá tempo de fazer esse registro e depois comparam-se as diferentes produções para chegar a um texto único (se o grupo for grande, pode-se trabalhar com grupos pequenos antes de buscar a versão coletiva). Assim como o primeiro, este texto coletivo expressa a versão do grupo quanto à história da escola. A partir desse registro pode-se chegar a algumas perguntas que, apesar de importantes, o grupo desconhece ou têm informações discordantes. Tais perguntas, suscitadas pela escrita das várias versões ou pelas informações que todos compartilham, mas que é preciso assegurar-se de sua veracidade, fornecerá o roteiro para a pesquisa em documentos oficiais disponíveis nos arquivos da escola ou em outras fontes. É interessante que o grupo se organize para a busca desses dados, que poderão ser compartilhados no próximo encontro.

Tanto as versões individuais, aquelas produzidas em pequenos grupos, como a versão coletiva podem ser guardadas numa pasta única em que se procurará registrar a “história redescoberta” da escola em questão. Este material poderá ter vários usos posteriores, inclusive ser compartilhado com os alunos, que também terão ocasião de trazer suas contribuições.

2º encontro – tempos modernos e o arquiteto Artigas / pesquisa nos registros da escola
Os textos sugeridos para este encontro encontram-se compreendidos entre as páginas 15 e 25 do material proposto. Como dissemos, é interessante que parte deles tenha sido lido antes do encontro. No entanto, é interessante que a leitura dos textos “A ‘escola nova’”, “A escola equipamento – a escola parque” e “As escolas de Artigas”, além do depoimento de Anísio Teixeira (pg. 17) seja feita no próprio encontro.

Na discussão relacionada ao primeiro texto, é interessante frisar a ampliação, para além das salas de aula, do que se considera espaço de ensino. O mesmo está escrito no texto que fala das escolas-parque, que também relaciona essa visão mais humana do ensino à fecunda geração formada a partir dessas propostas educacionais. Em relação ao terceiro texto, é possível acompanhar o percurso do arquiteto João Batista Vilanova Artigas que, com suas idéias arrojadas, propõe a aproximação ou síntese entre o tipo de ensino proposto numa escola e o prédio que ela ocupa. Os prédios concebidos por ele consideram a importância de conceber espaços de encontro, que têm como contrapartida uma vivência mais democrática do ensino, ou seja, “Pode um prédio ensinar? Sim, pode. O convívio com os colegas e professores em um espaço democrático e generoso leva à prática democrática. Um edifício pode ser democrático. A prática de um convívio criativo, conflituoso, é a prática para a vida em sociedade, para a vida na cidade” (pg. 21).

Após a leitura, pode-se propor uma conversa sobre os diferentes espaços da escola: Quais aqueles que promovem uma convivência saudável entre alunos, professores e demais educadores? O que poderia ser feito nos diferentes espaços para que tal convivência seja mais agradável? É possível pensar em questões relacionadas à construção (luminosidade, área etc.) e também em suas condições atuais, tais como higiene ou conservação. A partir dessa discussão já é possível pensar em alguns projetos de recuperação de espaços de convivência, buscando soluções simples que, no entanto, contribuiriam para a percepção da escola como lugar mais humano e generoso.

Outra discussão que pode ser gerada a partir da leitura relaciona-se aos valores descritos nesse trecho. Próprios dos anos 40 e 50, eles ainda são atuais, mas em muitos casos precisam ser resgatados.

A segunda parte visaria compartilhar os dados da pesquisa, obtidos a partir da busca combinada no encontro anterior, e confrontá-los com a versão coletiva da história da escola (que também foi escrita no encontro anterior). Um novo texto pode ser produzido pelo grupo, desta vez com dados amparados em documentos oficiais, uma versão mais próxima da oficial. É interessante comparar as idéias que o grupo tinha e o que foi descoberto na pesquisa (por exemplo, pessoas importantes na história da escola e que ficaram esquecidas nos relatos, dados sobre reformas e outras mudanças por que passou o prédio e que não haviam sido citados, eventos importantes que tiveram lugar na escola ou dos quais esta participou e que não foram lembrados). Também é interessante perceber o silêncio dos documentos oficiais sobre alguns eventos ou pessoas que o grupo reconhece como importantes. Na produção, não se trata de dar voz unicamente àquilo que está documentado, mas de compor uma nova versão em que as informações veiculadas nos documentos sejam complementadas por outras, que o grupo reconhece como importantes.

Para o próximo encontro, algumas pessoas podem se comprometer a fotografar diferentes espaços da escola que são ou poderiam ser espaços de encontro e convivência, para incluí-lo na pasta de registro. Tanto se pode fotografar as pessoas interagindo nesses espaços, como também, em outras imagens, captar pontos problemáticos, que poderiam ser melhorados pela iniciativa de todos.

3º encontro – a década de 70 e as perspectivas de hoje / novas pesquisas e discussão dos problemas, possíveis soluções
A leitura sugerida está compreendida entre as páginas 25 e 35. Sugerimos que os textos “A escala do problema ou um problema de escala”, “O sistema de componentes” e “De novo, a ocupação do território” sejam lidos durante o encontro. No primeiro, é interessante destacar o desafio de garantir o direito à escola para um número de usuários que cresce no ritmo de São Paulo. O segundo traz a solução apontada pelos arquitetos: a padronização dos espaços e não dos prédios, permitindo assim que estes sejam adequados a cada realidade onde as escolas são necessárias, enquanto a padronização dos espaços permite atingir o máximo de qualidade, já que são respeitadas condições básicas para o exercício da tarefa de ensino: o tamanho ideal das classes, a luminosidade necessária, as características dos materiais, considerando as necessidades acústicas e climáticas. O terceiro texto aborda o problema a ser enfrentado hoje pela escola, uma vez definido seu papel e importância numa metrópole com todos os problemas que lhe são peculiares, como é o caso de São Paulo.

A partir de todo o material lido, é interessante promover a identificação dos principais problemas enfrentados pelos profissionais da escola em sua realidade atual. Que relação encontram entre tais problemas e os prédios que ocupam (por exemplo, sabemos que a superlotação das classes é uma questão em muitas escolas. É interessante relacioná-la ao fato das classes terem sido concebidas para um determinado número de alunos - no material que ora utilizamos, este gira em torno de 35 alunos). As soluções para alguns dos problemas apontados fogem da alçada dos agentes da escola (como no caso que acaba de ser citado como exemplo). Para outros problemas, é possível encontrar soluções no próprio grupo (por exemplo, a biblioteca da escola pode ser identificada como espaço importante que, no entanto, não cumpre sua função, já que há poucos livros no acervo. Para enfrentá-lo, é possível organizar uma campanha de doação de livros junto a universidades ou à comunidade).

Na segunda parte do encontro, continua-se a conversa sobre os diferentes espaços da escola e as condições que oferecem para o encontro, a convivência democrática. A partir das fotos trazidas é possível diagnosticar os diferentes espaços da escola em termos de sua maior ou menor capacidade de aglutinar as pessoas, a partir das condições que oferecem. Nesse momento, o grupo pode, a partir dessa discussão, traçar metas de ação a curto e longo prazo. Por exemplo, o pátio da escola pode ser identificado como espaço de convivência dos alunos, mas percebe-se que nele os alunos ficam sentados nos cantos ou correm de um lado para outro, sem que ocorram brincadeiras que são tão saudáveis, como todos sabemos. Uma solução simples é pintar amarelinhas e outras brincadeiras no chão do pátio, construir um palco para apresentações, otimizar a utilização da rádio local. Outra (de longo prazo) é pesquisar entre os educadores brincadeiras que poderiam ser ensinadas aos alunos durante o recreio e que pudessem ser organizadas por eles mesmos em momentos posteriores. A avaliação dessa ação poderia acontecer após algum período, com novas fotos em que se constate se houve ou não mudanças na forma como os alunos se relacionam no pátio.

Como finalização desse trabalho, pode-se organizar um seminário ou uma exposição com textos e imagens, destinados à comunidade para contar não só a história da escola, mas também quais formas de aprendizagens podem ser conquistadas nesse processo.

Bom trabalho!

Untitled Document
 SUGESTÕES DE TRABALHO

Copyright © BEI - Todos os direitos reservados