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O PLANALTO PAULISTANO

No planalto paulistano, a mais de 700 metros de altitude do litoral, surgiu, em 1553, o primeiro aglomerado europeu e indígena - a Vila de Santo André da Borda do Campo, formado a partir da chegada de um português de Coimbra, João Ramalho, que naufragou nas proximidades de São Vicente, por volta de 1508. Sabe-se que João Ramalho se estabeleceu no planalto, também conhecido como Campos de Piratininga, onde passou a viver com os guaianás, denominação que recebiam os índios tupiniquins que habitavam a região correspondente aos atuais estados de São Paulo e Paraná. Naquela época, ele já exercia a atividade bandeirante, isto é, capturava índios e vendia-os como escravos a espanhóis e portugueses do litoral. Comenta o historiador Silva Sobrinho:

"Fixara-se João Ramalho no planalto para poder mais facilmente receber os escravos aprisionados no sertão pela sua gente. Dali os mandava para o litoral, para o porto de Tumiarú destinados […] a Antonio Rodrigues, seu sócio, que os enviava, por sua vez, à Bahia e Pernambuco". 1

Um ano após a fundação de Santo André, os jesuítas decidiram fundar um outro núcleo de povoamento no planalto numa região repleta de aldeias indígenas. Tal estratégia fazia parte da política dos jesuítas de catequização e de conversão dos índios ao catolicismo.




Em junho de 1553, escreve o padre Manoel da Nóbrega: "No campo, daqui distante doze léguas, deseja-se juntar três povoações em uma para que melhor aprendam a doutrina cristã, e mostram grande fervor e desejo em aprender". 2




No dia 25 de janeiro de 1554, celebrou-se a primeira missa do planalto, na qual estavam presentes os padres jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, além do bandeirante João Ramalho e de sua esposa Bartira, filha do cacique Tibiriçá, chefe dos guaianás. Essa data marcou a fundação de São Paulo de Piratininga. O próprio nome já indica uma composição original do mundo europeu com o mundo tupi. São Paulo, em homenagem ao santo do dia, e Piratininga, nome de uma aldeia guaianá, que significa em tupi "peixe seco". Assim, desde os primeiros tempos, influências européias e tupis faziam-se sentir na vida dos moradores dessas paragens.

Nesse mesmo lugar, um patamar alto de onde se avistavam extensos quilômetros, foi construído o Colégio dos Jesuítas. Ao seu redor, aglomeraram-se choças de índios e casinhas de taipa. Em 1560, o povoado ganhou o estatuto de vila. Logo esse núcleo colonizador tornou-se o principal centro da catequese da Capitania de São Vicente.

De localização privilegiada, São Paulo de Piratininga situava-se numa colina alta e plana, cercada por dois rios: o Tamanduateí e o Anhangabaú, ambos afluentes do Rio Tietê, além dos Rios Pinheiros e Tietê, que corriam mais afastados do centro, mais isolados.

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