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OS RIOS E SEUS AFLUENTES

Rio Tietê

Tietê, palavra que em tupi significa "água boa", é o nome de um rio que teve grande importância na história de São Paulo, pois permitiu a interiorização da colonização, ampliando os limites da América portuguesa. Também chamado no passado de Rio Grande e Anhembi ou Anhambi, o Rio Tietê, o maior do planalto, com 1.136 quilômetros de extensão, é um rio muito sinuoso, com uma longa série de corredeiras e cachoeiras, e recebe um grande número de afluentes.




O rio nasce na cidade de Salesópolis, em São Paulo, na cadeia montanhosa da Serra do Mar, a mil metros de altitude e a 22 quilômetros do Oceano Atlântico. Contrariando o curso da maioria dos rios, ele corre para o interior do estado, atravessando a cidade. Essas características fazem com que suas águas só desemboquem no mar depois de percorrerem 3.500 quilômetros, nos quais se encontram com o Rio Paraná, divisa do Mato Grosso do Sul, e chegam até o Rio da Prata. Com tal percurso, o Rio Tietê se tornou um dos mais importantes para a expansão territorial do país.

Desde o século XVI, índios, jesuítas e bandeirantes, os "conquistadores do sertão", navegavam pelo Tietê à procura de índios, para utilizar como mão-de-obra escrava, e de ouro.

No início do século XVIII, intensificou-se a navegação fluvial pelo Tietê com a descoberta das minas de Cuiabá.

"Logo que soube-se em São Paulo das descobertas que Pascoal e seus companheiros tinham feito nas circunjacências de Cuiabá", escreveu o brigadeiro Machado de Oliveira, "moços e velhos dispuseram-se a partir para ali, em procura de riquezas que sua cobiça elevara a um ponto desmesurado; e dentro de poucos dias puseram-se a caminho, divididos em grupos que seguiam uns após outros, embarcando no Tietê, e navegando este e outros rios que vão ter ao Cuiabá." 21




Além dos povoadores que partiam para tentar a sorte nas minas, as frotas de comércio, também conhecidas como "monções", deram especial relevo ao Rio Tietê. Canoas com armas, sal, escravos, vinho, azeite, aguardente e artigos manufaturados abasteciam os moradores de Cuiabá.

As monções partiam de Porto Feliz, desciam normalmente o Tietê até a foz, seguiam o curso do atual Paraná, entravam por um de seus afluentes, em geral o Pardo e depois subiam o Anhanduí-Guaçu até chegar ao Rio Paraguai. De lá alcançavam o São Lourenço e, finalmente, o Cuiabá. Porém, muitas das frotas sofreram ataques dos índios que transitavam pela região.

A abertura de novas estradas terrestres e a perspectiva de um comércio mais lucrativo reduziram as viagens fluviais pelo Tietê. Sabe-se que as últimas ocorreram por volta de 1838, quando uma epidemia de febre tifóide se alastrou pelas margens do rio, deixando poucos sobreviventes.22

No início do século XX, o Rio Tietê era um dos locais de lazer preferidos dos paulistanos: piquenique, natação, pesca e esportes aquáticos. Às suas margens, estabeleceram-se três clubes de regatas: o Club Canottieri Esperia, formado pelos italianos, o São Paulo e o Tietê. O jornalista Thomaz Mazzoni recorda:

"A Ponte Grande se transformou em local de recreio para o paulistano, pois ali, à margem do Tietê, foram criados vários recreios para piqueniques, passeios de barco e restaurantes, entre os quais se destacava o Bella Venezia, freqüentado pelos italianos, que aos domingos se recreavam passeando de barco. Foi justamente um grupo desses rapazes que começou a incentivar a idéia da formação de um clube esportivo que teria, naturalmente como atividade, o remo e a canoagem: o Club Canottieri Esperia". 23
Mas esses clubes não durariam muito, devido à poluição das águas. Em 1930, 150 empresas já jogavam lixo no Rio Tietê. A publicação A Capital de São Paulo de 1933 traz um alerta: "Estes rios são pouco piscosos, talvez devido à barragem em Parnaíba e ao Salto de Itu. Os resíduos das fábricas e outros também concorrem para tornar o ambiente pouco favorável à vida dos peixes". 24

As atividades esportivas continuaram até a década de 1950, quando o Tietê transformou-se no esgoto a céu aberto na cidade. Hoje em dia, são despejadas diariamente cerca de 134 toneladas de lixo inorgânico em suas águas, e o índice de oxigênio na água é zero. O Rio Tietê volta a dar sinais de vida somente depois da cidade de Salto.

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