DE VILA A CIDADE DO TEMPO COLONIAL
Igreja e Convento do Carmo (1592-1596)
A Ordem dos Carmelitas chegou ao Brasil em 1580 com o intuito de formar uma colônia na Paraíba. Guiados pela vida religiosa que compreendia oração, ascese, fraternidade e pobreza, os freis que aqui desembarcaram tinham a missão de fundar conventos em várias regiões do Brasil.
Nesse contexto, o frei Antônio de São Paulo Pinheiro fundou, em 1592, a Igreja do Carmo de São Paulo, em terras que ficavam num outeiro sobre a várzea do Tamanduateí, doadas por Brás Cubas. Quatro anos mais tarde, edificou-se o convento dos carmelitas.
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Este era dividido em velho e novo, "sendo que o antigo edifício ressentia-se da pressa que tiveram os religiosos de o edificar, pois foi o mesmo muito mal construído, fazendo-se mais tarde uma edificação moderna, ou o novo convento, como era denominado, contendo o mesmo um vasto dormitório, dividido em oito celas".
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Em 1775 foi edificada a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, contígua ao convento. O viajante francês Auguste Saint-Hilaire a descreve da seguinte maneira: "A igreja do convento dos carmelitas é muito bonita, ornamentada com muito gosto e enriquecida com pinturas de ouro. Além do altar-mor, há mais três altares de cada lado, em que são reproduzidas as mais notáveis ocorrências da paixão de Cristo".
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O Convento do Carmo de São Paulo tornou-se um centro religioso muito forte no período colonial, com numerosos bens, conforme indica um relatório do século XVIII:
"uma fazenda denominada Caguaçu, situada na freguesia da Penha; uma dita no distrito da freguesia de Itaquaquecetuba, no lugar denominado Itaim; uma dita no distrito da vila de Santa Isabel, no lugar denominado Pontes; uma dita no distrito da cidade de São Roque, no lugar denominado Sorocamirim; uma dita no distrito da cidade de Curitiba; uma quinta na freguesia de Santa Efigênia; uma capela em Tamanduá, com terreno anexo; um terreno que cerca o convento; 32 prédios térreos e 3 ditos de sobrado e um andar na capital, e 435 escravos".
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No entanto, no século seguinte, o Convento do Carmo apresentava sinais de decadência. Em 1836, era habitado apenas por dois religiosos.
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Durante todo o século XIX, a Igreja do Carmo realizou missas solenes e as maiores procissões da cidade, especialmente as da Semana Santa. Diz o cronista:
"As procissões tinham a importância e a imponência de festas nacionais. O povo em peso nas ruas. O que hoje se faz é um arremedo do que faziam nossos avós. As ruas enfeitadas, varridas, passado o ancinho, e depois pétalas de rosas, ramos de alecrim, begônias, jasmim do imperador, magnólias perfumadas para a passagem do Senhor. Nas casas, iluminação nas platibandas, colchas nas janelas e grades, e pelo ambiente derramado, um indelével perfume de manjerona e de incenso. Por toda a parte, o inefável enlevo religioso, dominando, embalando os corações e santificando as almas".
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Em 1927, a Igreja do Carmo recebeu torres projetadas pelo escritório de Ramos de Azevedo,
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mas, no ano seguinte, o governo do estado a desapropriou e demoliu, para a construção de uma grande avenida: a Rangel Pestana.
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A Igreja do Carmo fica hoje na Rua Martiniano de Carvalho, na Bela Vista.