DE VILA A CIDADE DO TEMPO COLONIAL
Matriz de São Paulo - Sé (1616-1764-1913-1954)
A primeira referência à construção de uma Igreja Matriz em São Paulo consta das Atas de 7 de fevereiro de 1588, na ocasião em que o povo e os vereadores foram convocados à sessão da Câmara. Diz o documento: "Oficiais e povo logo praticaram sobre o fazer-se a igreja e todos foram de parecer que se faça hygrega matriz".
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No ano seguinte, o povo reuniu-se novamente na Câmara para tratar do mesmo assunto: a construção da Matriz. Decidiu-se que ela seria edificada entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes,
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em terreno escolhido pelo cacique Tibiriçá, chefe dos guaianás.
Em 1598, a Câmara convocou os empreiteiros para fazer "corpo de igreja" e capela matriz.
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Dois anos depois, entretanto, as obras estavam tão atrasadas que a Câmara obrigou os moradores a fornecerem escravos "para as taipas da igreja", sob pena de multa.
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Foi somente em 1616 que a Catedral da Sé ficou pronta. Mas teve curta duração, pois, em meados do século XVIII, encontrava-se em ruínas. Por isso, o Santíssimo Sacramento da freguesia precisou ser transferido para a Igreja da Misericórdia "como a mais suficiente, capaz e sita em melhor paragem".
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A Sé foi elevada à categoria de catedral em 1745. No ano seguinte, a cidade recebeu o primeiro bispo, d. Bernardo Rodrigues Nogueira. Nessa ocasião, ordena o governador d. Luiz Mascarenhas à população: "quando passar o Ex.mo e Reverendíssimo Senhor Bispo pela rua, ou por outra qualquer parte, toda pessoa que o encontrar ponha o joelho em terra e esperará assim, e se o mesmo em algum logar tiver parado farão o mesmo e recebida a benção se levantarão e hirão seguindo seu caminho".
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No ano de 1754, o antigo templo do Largo da Sé foi demolido e, à custa de esmola dos fiéis, foi possível edificar um outro aproximadamente no mesmo local. O seu frontispício só ficaria concluído em 1764. A edificação da torre de pedra foi motivo de muita preocupação, já que não havia arquiteto que quisesse se responsabilizar pela obra. Recorreu-se então a Joaquim Pinto de Oliveira, por alcunha Thebas, mestiço e escravo alforriado, perito em construção feita de pedra, o que era raro na cidade feita em taipa de pilão.
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A arquitetura religiosa de São Paulo e a quantidade de templos, igrejas e conventos impressionou o viajante Von Koseritz, que constatou:
"A cidade, com seus 35 mil moradores, possui nada menos do que dezenove igrejas, sem contar os templos e conventos destinados para fins oficiais. No centro da cidade, numa distância de três quadras, se encontram sete igrejas, uma sempre olhando para a outra, e às vezes, nascidas aos pares e se tocando como irmãs siamesas".
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A antiga Sé foi demolida em 1911 para obras de ampliação da Praça da Sé. A partir de 1913, a catedral metropolitana, elevada à sede da arquidiocese, começou a ser reconstruída em granito com projeto neogótico do arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl. Em 25 de janeiro de 1954, por ocasião do IV Centenário, a Sé foi inaugurada, mas com suas torres principais inacabadas. Com capacidade para 8 mil pessoas, a catedral possui 111 metros de comprimento por 46 metros de largura.
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Na cripta da catedral estão os mausoléus de Tibiriçá e do padre Diogo Feijó, além dos túmulos dos bispos de São Paulo. Se observarmos a decoração dos capitéis de suas colunas, veremos ramos de café, tatus e outras referências à flora e fauna brasileiras.
O Largo da Sé, onde se localiza a catedral, foi o ponto de referência para a Câmara fazer a numeração das casas a partir do ano de 1852: as ruas da cidade começam do lado mais próximo da Sé. Em 1934, a Praça da Sé foi considerada oficialmente o marco zero de São Paulo, onde há um monumento apontando para as estradas que saem da cidade.
A Praça da Sé foi totalmente reurbanizada para a implantação do metrô de São Paulo. Em 17 de fevereiro de 1978 foi inaugurada a Estação da Sé, que interliga as linhas norte-sul e leste-oeste, com capacidade para 1 milhão de passageiros por dia.
Até hoje a Praça da Sé mantém a tradição de ser palco de manifestações populares e políticas, entre as quais se destaca a de 25 de janeiro de 1984, que reuniu cerca de 300 mil pessoas em apoio à campanha "Diretas Já", que pleiteava eleições diretas para a Presidência do país.