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A CIDADE NO TEMPO DO IMPÉRIO (1822-1889)

"Em 1830 São Paulo era pois quase uma
'formosa sem dote', como a chamou
Freire de Andrade, devendo sua formosura
somente à notável beleza de sua situação
e de seu horizonte visual. Circundada
de campos estéreis, inçados de saúva,
apenas matizados de capões e restingas,
a lavoura circunvizinha, limitada à cultura
da mandioca e de poucos cereais não lhe
oferecia elementos de riqueza, dando-se
o mesmo quanto à indústria pastoril."
Francisco de Assis Vieira Bueno,
A cidade de São Paulo: recordações evocadas de memória.


No tempo do Império, enquanto a capital do Rio de Janeiro sofreu muitas transformações, de modo a adquirir fisionomia européia, São Paulo permaneceu uma cidade feita de taipa, economicamente pobre e com feições predominantemente coloniais.

Nessa época, a população paulistana era estimada em cerca de 23 mil habitantes. 1 Esse aumento demográfico deve-se à presença de estudantes que vieram estudar na Academia de Direito, escravos de família que os acompanharam e fazendeiros que passaram a viver na capital da província. 2

Mas, apesar do crescimento populacional, a vida urbana, na expressão do poeta Álvares de Azevedo - que, depois de alguns anos no Rio de Janeiro, voltara a São Paulo para estudar na Faculdade de Direito -, permanecia um "bocejar infinito". 3 Na sua opinião, "não há passeios que entretenham, nem bailes, nem sociedade". 4

Além da falta de divertimento e de espaços de lazer, não havia abastecimento regular de água potável, e as ruas, além de muito escuras à noite, tinham péssimos calçamentos, feitos com pedras mal aparelhadas e irregulares. 5 Até o final do século XIX, portanto, São Paulo não passava de uma vila provinciana, acanhada e sonolenta. Queixa-se, em 1870, um presidente ao Inspetor de Obras: "a capital da Província não tem iluminação que preste, não tem água para satisfação dos habitantes, não tem praças ornadas, chafarizes, monumentos ou edifícios públicos". 6




Quanto ao transporte, as pessoas precisavam alugar tílburis ou carros de boi para perfazer grandes distâncias. Um pouco mais tarde, ainda no tempo do Império, trafegaram os primeiros bondes de tração animal na cidade. Eram carros pequenos, abertos, com capacidade de três bancos e nove assentos, importados dos Estados Unidos. 7 "A primeira linha (1872) ligava a Sé à Estação da Luz. Outra (1877) ia para o Brás. Em 1887 havia sete linhas com 25 quilômetros de trilhos, 319 animais e 43 carros que transportavam 1500000 passageiros por ano. Além dessas linhas, uma pequena estrada de ferro ligava Santo Amaro, na periferia, à cidade." 8 A cidade, impulsionada pelo café, acordava.

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