A CIDADE
NO TEMPO DO IMPÉRIO (1822-1889)
Hospedaria dos Imigrantes (1885)
No final do século XIX, a cidade de São Paulo atraiu grandes
levas de imigrantes: italianos, portugueses, espanhóis, alemães,
belgas, sírios, libaneses, japoneses, entre outros. Isso porque,
a partir de 1870, a mão-de-obra escrava foi sendo substituída
pelo trabalho assalariado no Brasil.
A Hospedaria dos Imigrantes foi construída justamente para
receber os imigrantes que chegavam ao estado de São Paulo
para trabalhar na lavoura ou nas indústrias paulistas. Foi
inaugurada em 1885 no bairro do Brás com capacidade para acomodar
1.200 imigrantes. Durante os 91 anos de funcionamento, quase
3 milhões de pessoas passaram pelo estabelecimento.
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Quando um grupo de imigrantes chegava ao porto de Santos,
depois de uma viagem cansativa de navio que durava, em média,
30 dias, o telégrafo enviava uma mensagem de aviso à hospedaria.
Os estrangeiros subiam a Serra do Mar nos trens da São Paulo
Railway, desembarcando na estação ferroviária junto à plataforma
da hospedaria. Em seguida, eram levados ao refeitório para
fazer uma refeição composta de: pão, carne, feijão, arroz,
batata ou verdura, café ou açúcar.
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Se fosse necessário, os recém-chegados recebiam assistência
médica. Depois, o regulamento interno da hospedaria, impresso
em seis línguas e afixado nas dependências do estabelecimento,
era comunicado e explicado. Os estrangeiros eram então distribuídos
pelos dormitórios que, segundo um relatório de 1908,
"consistem em vastos salões perfeitamente arejados,
com divisões para famílias e solteiros, servidos de confortáveis
camas de ferro, com lastros de arame e instaladas recentemente
por um sistema cômodo e higiênico; possuindo também os salões,
compartimentos com lavatórios e privadas para serem utilizadas
à noite. Existem 8 desses salões-dormitórios, sendo 6 no
pavimento superior e 2 no térreo, acomodando cada um deles,
em casos normais, 150 imigrantes. Tem havido casos em que
na Hospedaria se alojaram comodamente 6 mil pessoas". 23
No dia seguinte, logo pela manhã, os estrangeiros eram levados
ao gabinete de vacinação. Passavam por um enorme salão, onde
procediam a uma rigorosa verificação dos documentos e das
condições de saúde. Cada imigrante recebia um "cartão de rancho"
que lhe dava o direito de permanecer pelo prazo de seis dias
na hospedaria. Se fosse constatada alguma moléstia, era possível
estender o prazo de permanência.
Os imigrantes dirigiam-se ao anexo da hospedaria, a Agência
Oficial de Colonização e Trabalho, onde eram firmados contratos
de trabalho para a lavoura de café ou para outros núcleos.
Feito isso, as famílias realizavam os preparativos e seguiam
seu destino.
Entre 1882 e 1978 passaram mais de 60 nacionalidades e etnias
pela hospedaria, num total de 2,5 milhões de pessoas.
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| Horário
das refeições na hospedaria |
| Café e
pão: às 7 horas da manhã |
| Almoço:
às 11 horas da manhã |
| Jantar: às
4 horas da tarde |
| Café e
pão: às 7 horas da tarde |
| Leite: para as
crianças fracas ou menores de 3 anos |
| Pão e
salame: para alimentação durante a viagem,
na partida |
| Tabela de imigração
durante a década de 1882-1891 |
| Italianos...................202.503 |
Dinamarqueses...............1.042 |
| Portugueses...............25.925 |
Belgas...............................851 |
| Espanhóis..................14.954 |
Ingleses............................782 |
| Alemães......................6.196 |
Suecos..............................685 |
| Austríacos...................4.118 |
Suíços...............................219 |
| Russos........................3.315 |
Irlandeses.........................201 |
| Franceses....................1.922 |
Outros..............................483 |
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Total ........................263.196 |
Em 1982, o Condephaat tombou o conjunto arquitetônico da hospedaria, depois de uma reforma que lhe imprimiu feições neoclássicas na fachada. Em 1986, foi criado o Centro Histórico do Imigrante, responsável pela documentação oficial da hospedaria, e, após dois anos, foi criado o Memorial do Imigrante (órgão vinculado ao Departamento de Museus e Arquivos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo), cujo objetivo é reunir, preservar e expor documentos que dizem respeito aos imigrantes que vieram tentar a vida no Brasil. Além de salas de exposições, são oferecidos dois passeios turísticos que remetem os visitantes às primeiras décadas do século XX: um passeio de maria-fumaça de 1927, que sai do Memorial do Imigrante e vai até a Estação da Luz, e outro de bonde de 1912, que percorre o trajeto do Memorial à Estação Bresser do Metrô.