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BAIRROS NOBRES

"Esplêndida Avenida Paulista,
à qual eu não saberia comparar
senão a certas avenidas de Nova Iorque,
onde a fantasia dos milionários
americanos encerra, no verde
das grandes árvores e na policromia
dos canteiros dos jardins,
seus palácios de elegantes esculturas."
L. A. Gaffre, Visions du Brésil.


No final do século XIX, iniciou-se a formação de bairros nobres residenciais na cidade de São Paulo, destinados à moradia da elite da época: fazendeiros de café e a alta burguesia de comerciantes, industriais e profissionais liberais.

O primeiro loteamento exclusivamente residencial que surgiu na cidade de São Paulo foi feito por Frederico Glete e Victor Nothmann em 1879. Tratava-se do bairro dos Campos Elíseos, nome que evocava os jardins de Paris.

Pouco mais tarde, em 1890, Martinho Buchard e Victor Nothman organizaram outro loteamento na avenida que passou a ser conhecida como Higienópolis, ou "cidade da higiene". Nesse bairro, concentraram-se os palacetes mais elegantes da cidade de São Paulo.

O italiano Ernesto Bertarelli observa em 1913:

"A Avenida Higienópolis, com alguns palacetes belíssimos e muitas casas bonitas, ricos jardins e arranjos de terreno que eliminam toda a monotonia da cidade, pode competir vitoriosamente com as mais belas ruas modernas das cidades européias, com a vantagem que, nos jardins, há uma flora quase tropical, a alegria das corolas multicolores, plantas de folhagens régias e variedade de vivos vegetais de toda espécie. Outras novas e amplas ruas se entrelaçam, contornadas sempre de casinhas de um a dois andares, edificações ocultas entre os ramos e as flores, alegres habitações de luzes e de cores que irradiam uma aura de doçura e de simplicidade". 23


Os palacetes dos bairros da elite tinham estilos muito diversificados e, geralmente, reproduziam uma maneira de viver à moda francesa. "Vivia-se ali em grande estilo, com refinamento e requinte, procurando-se imitar o modo de vida das metrópoles européias mais importantes do século XIX", analisa Maria Cecília Naclério Homem. 24 A manutenção de um palacete exigia de 10 a 15 criados.




Um dos palacetes mais famosos do bairro de Higienópolis é a Vila Penteado, que pertenceu ao fazendeiro de café Antônio Álvares Penteado, em estilo art nouveau, 25 cercada de jardins, lago artificial, quadra de tênis, horta, cocheira e dependências para empregados. A Vila Penteado é um edifício tombado que foi doado pela família para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, na década de 1940.

A Avenida Paulista, outro empreendimento imobiliário de luxo projetado pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, foi inaugurada em 1891. Foi a primeira via pública asfaltada e arborizada com uma extensão de três quilômetros e faixas de trânsito para carruagens e cavaleiros, pedestres e bondes. Lembra-se o sr. Ariosto, velho morador do bairro, em depoimento a Ecléa Bosi: "A Avenida Paulista era bonita, calçamento de paralelepípedo, palacetes. As outras ruas eram semicalçadas, cobertas de árvores, de mata. De noite, os lampioneiros vinham acender os lampiões e de madrugada voltavam para apagar". 26




Os palacetes da Avenida Paulista tinham diversos estilos. "Ostentavam uma decoração mais profusa e exuberante. Com cerca de dois quilômetros de extensão, essa avenida apresentava um grande número de residências. Eram vilas pompeianas, neoclássicas, florentinas, neobizantinas, inspiradas no Renascimento francês ou no estilo Luís XVI, etc., aos quais viria juntar-se o art nouveau." 27 Para Richard Morse, a elite paulistana não tinha tradições, dada a "miscelânea ostentosa de estilos - clássico, florentino, inglês, oriental, neocolonial etc.- da Avenida Paulista". 28

O Belvedere Trianon da Avenida Paulista, de onde se avistava um belo panorama da cidade, foi projetado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1916 pelo prefeito Washington Luís. Era um dos passeios preferidos dos paulistanos.




O Trianon tinha restaurante, salões de festas, galeria e pérgula com uma estátua em cada extremidade."A área desempenhou, durante 20 anos, um papel social da maior importância na cidade de São Paulo. Foi um ponto de reuniões, junto à principal via de articulação dos bairros de alta renda, a Avenida Paulista. Foi ponto de encontro para todas as formas de atividade social", afirma Nestor Goulart Reis Filho. 29

No final da década de 1930, o Trianon encontrava-se decadente, sem a conservação necessária de seus pavilhões. Na década de 1950, o pavilhão norte foi derrubado pela prefeitura para a construção do Museu de Arte de São Paulo, o Masp. 30

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