CIDADE
MODERNA(1930-1960)
Estádio do Pacaembu (1940)
Até a década de 1940 não havia estádio
de futebol em São Paulo. No entanto, os paulistas eram
apaixonados pelo esporte bretão. Em 1904, Charles Miller
(1874-1953), nascido no Brás, filho de ingleses, introdutor
do futebol e criador do drible, escreveu uma carta para a
sua escola na Inglaterra, contando que a cidade de São
Paulo tinha de 60 a 70 clubes de futebol. 21
Além disso, “2.000 bolas de futebol já
foram vendidas nos últimos doze meses”. 22
Nas lembranças do já mencionado sr. Amadeu,
italiano nascido no Brás, a região de várzea
da cidade foi totalmente transformada em campos de futebol.
Diz ele:
“Comecei a jogar futebol com nove
anos. Naquele tempo tinha mais de mil campos de várzea.
Na Vila Maria, no Canindé, na Várzea do Glicério,
cada um tinha mais ou menos cinqüenta campos de futebol.
Penha, pode pôr cinqüenta campos. Barra Funda,
Lapa, entre vinte e vinte e cinco campos. Ipiranga, junto
com Vila Prudente, pode pôr uns cinqüenta campos.
Vila Matilde, uns vinte. Agora tudo virou fábrica,
prédios de apartamentos. O problema da várzea
é o terreno. Quem tinha campo de sessenta por cento
e vinte metros acabou vendendo pra fábrica. Se nós
vamos procurar na memória quantos jogadores da várzea,
de uns quarenta anos atrás, tinha mais de dez mil
jogadores. Aquele tempo era uma coisa! Cada campo tinha
um clube; a maior parte dos campos eram dados pelos donos
para o lugar progredir, popularizar. O dono é que
pedia pra fazerem um campo nesses terrenos baldios. Quando
tinha um clube, vinha o progresso. No domingo vinham duas
mil pessoas assistir, e começava o comércio,
o progresso.
Hoje não jogam nem dez por cento daquilo que jogavam
naquele tempo, por falta de campo, de lugar. Não
tem onde jogar. Em cada bairro se fazia um campeonato, juntavam
dez ou vinte clubes. Ali era uma coisa! O jogo de várzea
era o que atraía a maior parte do público.
De grande, havia o campo da Ponte Pequena, do Corinthians
velho, e o campo do Sírio. Depois veio o Parque Antártica
e o Parque São Jorge. A gente dizia: ‘Em que
parque vamos jogar?’ Não tinha estádio,
era campo livre, ninguém pagava pra ver. O Pacaembu
veio mais tarde, acho que em 38 ou 40. Aí começou
a massa, antes o pessoal estava espalhado nas várzeas
e nos bairros jogando mesmo”. 23
O crescimento urbano valorizou os terrenos em regiões
de várzea que acabaram sendo vendidos. Com isso,
os paulistas não tinham mais onde jogar futebol.
Tornaram-se torcedores.
Em 1926, a Companhia City (The City of São Paulo
Improvements and Freehold Land Ltd.) doou um terreno de
75,598 metros quadrados ao Estado, que foi repassado à
Prefeitura no bairro do Pacaembu, palavra que significa
em tupi “terras alagadas”.
O Estádio Municipal de São Paulo, projetado
pelo escritório Severo & Villares, foi inaugurado
no dia 27 de abril de 1940, com a presença do então
presidente da República, Getúlio Vargas, do
interventor Adhemar de Barros e do prefeito Prestes Maia,
que assistiram a coreografias cívicas e exibições
atléticas. No dia seguinte à inauguração,
realizou-se o primeiro jogo de futebol, entre o Palestra
Itália, atual Palmeiras, e o Coritiba. O Palestra
venceu por 6 a 2.
Na época, o Estádio do Pacaembu foi considerado
o maior e mais moderno da América do Sul, com capacidade
para 70 mil torcedores. A construção teve
início em 1937. Feita de concreto cinza-claro, o
estádio, segundo Nestor Goulart Filho, tinha uma
“arquitetura expressionista, com seus traços
exagerados, em linhas verticais e horizontais, quase agressivas”.24
Em 1961, o estádio recebeu o nome de Estádio
Municipal Paulo Machado de Carvalho, em homenagem ao homem
que comandou a delegação no mundial de futebol
na Suécia em 1958. Em 1970, foi reformado e aumentou
a sua capacidade para 15 mil novos lugares. Suas instalações
permitem a prática de vários esportes olímpicos:
futebol, natação, boxe, vôlei, basquete,
handebol, futebol de salão, tênis e atletismo,
além de ginástica e dança.
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