CIDADE
MODERNA(1930-1960)
Parque do Ibirapuera (1951)
O terreno situava-se no Ibirapuera – ou Ypy-ra-ouêra,
que em tupi significa “pau podre ou árvore apodrecida”.
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Segundo o arquiteto Carlos Lemos, o local “era nada
mais que um pasto pantanoso”,
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escolhido por uma comissão mista, composta por representantes
da Prefeitura, do Estado e da iniciativa privada, para se
transformar num grande parque. A idéia seria inaugurá-lo
na ocasião da comemoração do IV Centenário
da cidade de São Paulo. A iniciativa partiu de Francisco
Matarazzo Sobrinho, o “Cicillo”, que decidiu que
“o melhor presente para a cidade seria um novo espaço
de lazer”.
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A comissão elaborou um programa de prioridades para
o parque. O grandioso projeto arquitetônico foi de
Oscar Niemeyer. Compunha-se de oito pavilhões, três
lagos, ruas, gramados e jardins idealizados pelo paisagista
Roberto Burle Marx. De todo o conjunto, apenas três
obras previstas não foram edificadas: um portal na
entrada, um restaurante e o teatro.
O Parque do Ibirapuera, que tem uma área total de
1.584.000 metros quadrados, foi inaugurado no dia 21 de
agosto de 1954, 208 dias após a data da comemoração
do IV Centenário (25 de janeiro). Na entrada do parque,
vê-se o Monumento das Bandeiras, do escultor Victor
Brecheret, feito com 240 blocos de granito com cerca de
50 toneladas cada um, que levou mais de 20 anos para ficar
pronto. Representa uma expedição bandeirante,
símbolo da expansão paulista.
Um dos pavilhões, o Pavilhão Ciccillo Matarazzo,
foi erguido para abrigar as Bienais de Arte de São
Paulo a partir de 1957. As bienais, que divulgam obras de
artistas nacionais e estrangeiros, permitindo um amplo intercâmbio
cultural, já faziam parte do calendário da
cidade: a primeira foi inaugurada em 20 de outubro de 1951,
no Trianon, comandada por Lourival Gomes Machado e Sérgio
Milliet. Foram então expostas 1.854 obras, representando
23 países. A 2ª Bienal foi realizada nas comemorações
do IV Centenário no Pavilhão das Nações,
sob o comando de Ciccillo Matarazzo. Este evento reuniu
obras dos mais importantes artistas modernos, entre os quais
Picasso, que expôs 51 telas de todas as suas fases,
inclusive Guernica. No conjunto, eram 24 mil metros quadrados
de exposição com a representação
de 33 países e 3.374 obras.33
Até 2003 foram realizadas 25 bienais com a participação
de 148 países, 10.660 artistas e cerca de 56.932
obras.34
O complexo do Ibirapuera foi um marco na arquitetura moderna.
Segundo Lemos, “a partir daquele momento houve a aceitação
definitiva da arquitetura moderna no país. As pessoas
se referiam a ela como ‘Estilo Bienal’. Depois
da criação do Ibirapuera, nenhuma outra obra
pública ignorou o moderno na arquitetura”.35