NEGATIVOS URBANOS
"O território da cidade, como uma colcha
de retalhos com formas circulares, tece,
em suas diferentes cores, condições
desiguais de renda, educação, violência,
desemprego e analfabetismo. Quanto mais
se afasta do centro-sul, mas sofrida se torna
a realidade e a periferia aparece, então, como
a região por excelência das carências sociais."
Márcio Pochmann (org.). Outra cidade é possível.
Alternativas de inclusão social em São Paulo.
O processo de crescimento desordenado desenhou uma cidade de agudos contrastes sociais, marcados pela desigualdade e pela exclusão.
A população da periferia aumenta e consegue acesso à moradia,
ainda que precária, mas não tem oferta de empregos. Na tabela
abaixo é possível perceber as diferenças existentes entre
os distritos da periferia e os centrais na cidade de São Paulo
no que se refere aos postos de trabalho.
| Área consolidada |
Área periférica |
Distrito Sé
(zona central)
718 empregos para cada
100 habitantes
Distrito Itaim Bibi
(zona sudoeste)
161 empregos para cada
100 habitantes |
Distrito Cidade Tiradentes
(zona leste)
10 empregos para cada
100 habitantes
Distrito Capão Redondo
(zona sul)
13 empregos para cada
100 habitantes |
Para Ricardo Luiz Chagas Amorim e Claudia Maria Cirino de Oliveira, "a desigualdade de renda, de oportunidades de trabalho, de acesso à saúde, à justiça, à escola, à cultura, ao lazer, à segurança, à escolha e cidadania política constituem, cada uma delas, faces de uma única questão abrangente que, quando estudada em conjunto e focada sobre os que estão despojados desses direitos, costuma chamar-se de exclusão social".
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A desigualdade social, a pobreza e a exclusão trazem à tona os negativos urbanos da metrópole. "Ela representa, certamente, o melhor exemplo da síntese brasileira, capaz de combinar perversamente a convivência do novo com o velho e da pouca inclusão com a muita exclusão."
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As contradições são muitas: o maior centro financeiro e produtivo da América Latina abriga uma "horda social de despossuídos"
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por suas ruas; condomínios luxuosos da elite localizam-se ao lado de ambientes urbanos totalmente degradados; o mercado de trabalho famoso pelas ofertas de mão-de-obra exclui quase 20% da população, atualmente desempregada; os serviços públicos priorizam benefícios aos ricos, enquanto os pobres sofrem as deficiências da infra-estrutura urbana; há 370 mil alunos matriculados em mais de 150 instituições de ensino superior ao lado de mais de 400 mil pessoas ainda analfabetas.
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