A METRÓPOLE
CONTEMPORÂNEA
| Espaço e
Desenho A cidade, o edifício,
o objeto, a mensagem,
a paisagem
da imagem e seu desenho.
Na cidade. Os caminhos,
ruas, avenidas, viadutos,
túneis, praças, vilas,
em contornos de espaços
naturais e edificados.
No edificado. A casa,
o prédio, a escola,
a estação, o templo,
o mercado, a loja,
a fábrica, o escritório,
em linhas de desenho,
em cheios e vazios.
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Os objetos compondo,
preenchendo ruas,
praças, vilas.
Os veículos,
do automóvel à moto,
do ônibus ao caminhão,
da bicicleta ao metrô.
[…]
Da mensagem.
Os sinais, os anúncios,
os cartazes, os luminosos,
o desenho das calçadas,
as placas das ruas,
os números das casas,
os letreiros, as vitrines,
os semáforos em verde,
amarelo e vermelho.
E, na paisagem,
o desenho em espaços.
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Elide
Mozeglio in: Murillo de Azevedo Marx.
Nosso chão: do sagrado ao profano. |
São Paulo é hoje o quarto maior centro urbano
do mundo, depois de Tóquio, Cidade do México
e Bombaim.
“A forma de uma cidade muda mais depressa, lamentavelmente,
que o coração de um mortal”, escreveu
Baudelaire. E assim – aceleradamente – aconteceu
com São Paulo, que cresceu de forma desorganizada e
caótica, sem política urbana nem plano diretor.
Suas transformações, quer estejam a cargo de
iniciativas públicas ou particulares, não obedecem
a critérios previamente estabelecidos. A cidade se
fragmentou. Segundo Raquel Rolnik, “a cidade fractal
e fragmentada é uma anticidade, que se debate para
estabelecer bases de novos padrões de urbanidade, fundados
na negação do contato com o outro”.
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As conseqüências desse processo de fragmentação
são enfrentadas diariamente pelos paulistanos: precariedade
do transporte público, difícil acesso à
educação e à saúde, racionamento
de água e de luz, violência, desemprego, exclusão,
degradação ambiental, falta de moradia, confinamento,
entre outros.
A locomoção no interior da cidade é,
talvez, um dos aspectos mais exaustivos da vida dos moradores
de São Paulo. Desde as primeiras décadas do
século XX, a política do governo centrou-se
no favorecimento dos interesses da indústria automobilística
em detrimento do transporte público. Parte significativa
dos orçamentos públicos escoou para a rede viária,
a abertura de estradas e a construção de viadutos
e túneis – obras de custo elevadíssimo
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que não conseguiram banir da rotina paulistana seu
grande vilão: o congestionamento. Um carro quebrado
em uma avenida da cidade pode provocar um engarrafamento de
200 a 400 metros,
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situação facilmente explicável
pelos números: em 2001, 7 milhões de veículos
circularam diariamente na cidade,
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além de 375 mil motocicletas.
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A cada dia entram 300 automóveis novos
em circulação na cidade.
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As opções das sucessivas administrações
de São Paulo contrastam com as do ex-prefeito de Bogotá,
na Colômbia, Enrique Peñalosa. Em sua gestão,
Peñalosa proibiu a circulação de 40%
da frota nos horários críticos da manhã
e da tarde, retirou os estacionamentos para a ampliação
de calçadas e de ciclovias e taxou a gasolina em 20%,
quantia arrecadada para a construção do Transmilênio,
um tipo de transporte intermediário entre ônibus
e metrô. Para ele, “o problema do automóvel
não é apenas o congestionamento. Mais graves
são os problemas causados tentando resolver os congestionamentos.
[…] Se fizermos mais vias, as conseqüências
serão terríveis para as cidades”.
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Se o automóvel é o meio de transporte mais utilizado
pelas classes média e alta, a classe trabalhadora depende,
desde o final da década de 1930, de serviços
de ônibus oferecidos por empresários particulares.
Os ônibus viabilizaram o acesso dos moradores a bairros
bem distantes do centro tradicional, o que favoreceu o crescimento
da cidade em direção às áreas
desocupadas, expandindo a periferia. “Os deslocamentos
em ônibus subiram de 43,6% em 1948 para 91,2% em 1966”,
escreve Teresa Caldeira.
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Em 1968, os bondes encerraram suas
atividades. A frota de veículos do chamado “ciclo
diesel” (caminhões, ônibus, microônibus
e vans) é composta por 419,4 mil veículos, indicam
os dados de 2001 da Prodesp.
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Em 2003, cerca de 9.400 ônibus
circularam pela cidade, levando pessoas que chegam a perder
mais de seis horas por dia em deslocamentos de casa para o
trabalho.
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Para melhorar a qualidade do transporte público de
São Paulo, tiveram início, no final da década
de 1960, as obras do metrô. Em setembro de 1974 foi
inaugurada a Linha 1 Azul, que interligou os bairros de Santana
e Jabaquara. Outras linhas foram sendo construídas
nos anos seguintes. Hoje, a rede de metrô soma 57,6
quilômetros de extensão, o que ainda é
insuficiente para atender a todas as necessidades da população,
mas possibilita a interligação de várias
regiões da cidade. Calcula-se que em 2003 circulou
diariamente 1,8 milhão de pessoas por suas estações.